se for sair outra vez por aquela porta, saia

O seu amor me confunde, é tudo que posso dizer nesse momento, em que você lança na minha frente uma listas de coisas e situações que poderiam ter sido diferente se eu …

E eu fico aqui cobrando cada vírgula, exclamação, interrogações e pontos que eu coloquei nessa história. Procuro os meus erros e sim, eu os encontro, os admito, os entrego a você e procuro reparos. Sempre foi assim. No final de cada confronto entre nós dois, você sai com a vitória, com as noites quentes, com a razão, com o domínio e eu fico.

Fico com toda a desordem que você faz nas caixas das minhas lembranças, com toda bagunça dos lençóis, com toda as minhas incertezas sobre você, sobre nós, com todo o emaranhado de sentimentos que não se esclarecem mais.

Seu olhar está mais distante. Sua voz está menos presente. Suas intenções a cada dia estão menos expressivas. Eu já não sei mais sobre os teus horários, sobre as tuas dúvidas, você já não me deixa saber da sua vida. Já não basto para os teus dias de tédio, já não encontro teu olhar encantado no reflexo do espelho… e essas reticências na nossa história, eu sei que não foi eu quem coloquei.

Isso já virou rotina, mas de todas as rotinas que cultivamos, essa certamente é a que eu não suporto mais. Eu não lembro quando foi que nos tornamos tão ausentes. Quando sair pela porta da sala, se tornou entre todas as outras, a melhor solução. Quando conversar se tornou tão chato, tão irritante e não mais envolvente e excitante. Quando perdemos a compreensão e a paciência entre a gente.

O amor não acaba do nada. Não acordei hoje e reparei a distância. Essa distância vem sendo cultivada há dias, há semanas… e por mais que eu insista por mim, não posso insistir por você. Por mais que eu tente reorganizar esse texto (essa nossa história), eu não posso reescreve-la sozinha. Ou tem eu e você juntos, ou não tem mais nada.

Então se for sair outra vez por aquela porta, saia. Mas não deixe mais para trás as tuas confusões, os teus gritos e desaforos, as tuas certezas e conjecturas individuais, as tuas razões intolerantes, as roupas espalhadas pelo chão do quarto, a toalha molhada na cama, os teus papéis rasgados em cima da escrivaninha, o teu perfume, as tuas fotos, os teus segredos (que eu guardei com zelo naquela caixa com as nossas melhores lembranças)… por favor, leve tudo que for teu, tudo o que represente pedaços de você.

Se hoje eu não insisto para você ficar, é porque eu cansei de tentar ser tudo o que você quer, e não ser mais quem eu era, quem um dia, você disse que amava.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Pinterest)

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