amanhã, amanhã, amanhã

Tem dias que nada de ti sai. Olhas ao redor e não encontras o jeito, o tato ou palavra para explicar o vazio, o silêncio e a solidão.

Os dias continuam passando de pressa e o tique taque do relógio cobra-te que faças alguma coisa… Andas pela casa incerto, confuso, procurando alguma coisa ou tentando encontrar te ou sei lá… Comes o que vê pela frente, para não comer a si mesmo de tanto nervoso e ansiedade. Não sabes o que fazer. Não sabes o que encontrar. Não sabes como justificar o que quer que seja isso.

Dói. Sabes que dói em ti.

Dói até os ossos e nem sabias que os ossos podiam doer tanto assim. Tudo o que desejas é fazer parar de doer, porquê não te imaginas viver mais um dia este tormento. Entendes que não faz sentido sofrer tanto por não saber o que fazer, porém tu sofre. Atormentas te mais algumas horas, mais alguns dias… te penalizas.

Por tantas madrugadas tu vislumbras uma amanhã diferente. Pela vida planejas: “amanhã eu tereis uma ideia incrível que vai levar-me muito longe” ou ” amanhã eu encontrarei aquele trabalho que vai abrir-me muitas portas na vida” ou ” amanhã eu terei a coragem de mostrar-me” ou “amanhã eu resolverei tudo isso”, amanhã, amanhã, amanhã…

Raramente depois de longas conversas consigo mesmo acabas dormindo, mas na maioria das noites, tu percebes os primeiros raios do sol entrando pela fresta da janela. É o amanhã chegando. Sentes medo, seguido de um quase entusiasmo, que é vencido pela profunda frustração agarrada no peito. Cobres a cabeça com o cobertor, procurando esconder te do dia que chega, dizendo desesperado no silêncio do teu coração: “ainda não estou pronto, me dê mais alguns minutos, algumas horas, ainda não estou pronto, ainda não estou pronto…”

E o que parecia ser uma eterna madrugada, passa a ser breve demais. Pois o amanhã chega, mas as ideias, os planos, a vida fora do papel, as palavras no livro, os discursos, a coragem, a solução não chegam junto.

O amanhã começa a passar de pressa, o tique taque do relógio cobra-te que faças alguma coisa… Andas pela casa incerto, confuso, procurando alguma coisa ou tentando encontrar te ou sei lá…quem sabe amanhã.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução /Pinterest)

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