encontro

Ela já havia se perdido em tantas outras histórias. Tinha levado tempo demais para entender que tinha o que merecia e por tanto, histórias como aquelas que arrebentam o coração era o que ela merecia (ela acreditava fielmente).

Naquele dia, cansada da tensão do trabalho, saiu pela orla de Copacabana andando completamente perdida dentro de si, buscando respostas, uma razão para continua. Ela queria que lhe dessem uma ótimo motivo para para insistir em toda aquela droga de vida que não se alinhava de uma vez por todas. Algo lhe faltava. Precisava entender como podia estar estar no lugar certo e sentir-se tão sozinha. Aquilo não fazia sentido algum.

O sol estava quente demais, beirando os seus famosos 38º graus da cidade maravilhosa. Tirou o blaiser, forrou o banco quente de cimento e sentou-se em cima. Olhando aquele mar verde, as ondas agitadas, as pessoas torrando ao sol. Esperava ouvir do mar uma resposta e ele sentou-se ao seu lado.

No dia mais improvável da sua vida, uma quarta-feira qualquer de um ano incerto, o amor lhe encontrou. Os olhos castanhos cor de mel, a pele bronzeada, os lábios rosados, o cabelo caindo sobre os olhos. Um olhar curioso pela sua existência e seus porquês.

Uma presença familiar de quem já se conhecia (e talvez se conheciam de outras vidas – ela pensava). Uma inquietude corriam-lhe as veias (coisa de pele – ele pensou), aquela pele lhe encantava os olhos, o tom dourado e o que mais estaria escondido por deixo daquele vestido o intrigava. Aspirava desbravar cada pedaço dela. Seu olhar preso no oceano parecia angustiado e tudo o que ele queria era ouvir as suas preces, entender o que lhe atormentava, aquietar a sua alma.

Suas almas pareciam se entender naqueles instantes. Uma conversa silenciosa entre as presenças que se percebiam, se reconheciam, se assediavam. Tinha tudo ali. Seus mundos se examinando, se apaixonando, se amando entre o infinito do que não conheciam do futuro e o para sempre daquele presente. Sentiam-se sem se tocar. Se olhavam pelo espelho daquele mar. Estranhos se amaram sem se falar. O tempo tinha parado e quem lhes provariam o contrário?

Ela com a alma calma e os arrepios da pele, virou-se para ele antes de levantar. Encarou o por uns segundos, como se agradece por aquele momento. Não entendia ainda, mas sabia que o veria de novo. Ele sem conseguir falar uma só palavra, confessou-lhe tudo assim mesmo. Saindo, ela ainda lhe deu uma ultima olhada antes de atravessar a avenida Atlântica. Ele não entendia direito o que seria o amor ou se o merecia, mas ele sabia que tinha amado. Amado cada instante da presença dela.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução /Freepik)

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