o amor que lhe bastava

Poucas coisas na vida seriam eternas. Disso ele tinha convicção. Uma certeza absoluta de que nada dessa vida ele levaria. Não tinha riqueza, conhecimento, sonhos que pudessem segui-lo até depois da morte. Contudo, aquele amor, o amor dela, único, forte, fervoroso, muitas vezes louco, iluminado por uma fé inabalável… aquele amor, o amor dela ele levaria tatuado na alma para sempre consigo.

Não era uma questão de palavras ou significados para dar-lhe sentido. O que ele sentia por ela, não tinha que ter sentido. Não precisava ser explicado. Não poderia ser descrito como de fato era. Não haveria no mundo palavras para escrever com justiça o que ele sentia com ela, por ela, em cada toque dos dedos dela. O olhar carinhoso, preocupado e muitas vezes safado que só ele entendia. Os discursos curtos, longos e silenciados que eram só dela que lhe confessava tudo. E quando brava…. ah ela brava lhe arrepiava toda a espinha de tanto tesão que sentia. Ele se perguntava como ela conseguia estar tão mais linda brava daquele jeito. Ela o desarmava sempre. O punia com aquele sorriso de quem lhe provava a sua razão e nessas horas, a tal da razão tinha que ser a razão dela, o gosto dela, o calor dela, as unhas dela desenhando suas costas. Os braços dela eram o seu lar. A entrega indomável dela o seu refugio. O amor que ela lhe entregava era a sua fé na vida.

A vida não era perfeita. De ninguém era. Ele sabia. Todos sabiam. Mas a dele tinha a vida dela junto e por mais inconclusivas que fossem suas tentativas de compreensão para o que sentia, uma coisa ele compreendia, que a vida ao lado dela mesmo não sendo perfeita, era uma vida suficiente. O amor dela lhe bastava, mesmo quando tudo faltava. O amor deles bastavam, mesmo quando tudo parecia incerto. O amor, pensava ele, talvez fosse isso, bastar quando tudo falta, bastar quando tudo é incerto. Ainda haveria muitas faltas, bagunças, discordâncias, incertezas, silêncios, saudades… sim haveria ele sabia… mas se ainda houvesse o amor deles, ele bastaria para ela e ela bastaria para ele. Quanto a todo o resto, eles dariam um jeito. O amor deles sempre dava um jeito em tudo. E talvez fosse esse o bastar do amor: preencher a falta, dar um jeito na bagunça, calar as razões nas discordâncias, aquietar as incertezas, aconchegar o silêncio, matar a saudade no banco de trás do carro.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Nicole Ashley)

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