ainda te procuro em mim

Tudo na minha vida mudou no dia que você chegou. Toda perspectiva óbvia que eu tinha sobre tudo se desfez aos meus pés. Todas as minhas regras. Todas os meus muros, as minhas armas e artimanhas de defesa, caíram ao chão. Tudo que eu imaginava ser. Tudo o que eu imaginei que seria.

Às vezes, olho o meu novo reflexo no espelho e não me encontro mais. Aquela eu que existia antes de você e que esperava um amor sereno e trivial. Ela desapareceu depois que conheceu o teu jeito e se apaixonou perdidamente pelo o oposto de tudo que esperava querer para si mesma. E hoje, penso que talvez, no fundo no fundo, o teu jeito tempestuoso, impulsivo, imprevisível fosse o que aquela eu realmente queria.

Ela desapareceu completamente com o teu domínio, o teu calor, a tua força, a tua precisão e dentre tantas coisas, o que mais sinto falta era da certeza, no meio de tudo que era um grande fascínio. A certeza de que eu estava segura. Dentre tudo que vivi com você, que senti com você, a segurança é do que mais sinto falta e é ela quem procuro em mim de novo.

Às vezes, me sinto afogando dentro de mim mesma e você não está aqui para me tirar desse naufrágio. Você não está aqui e é isso que continuo procurando no espelho… eu ainda te procuro em mim. Já nem sei se isso é saudade ou nostalgia de algo que um dia existiu. Muitas vezes, me questiono se existiu mesmo ou se eu te inventei dentro de mim. O que eu mais temia, está enfim acontecendo, tudo o que você construiu em mim também está desaparecendo e eu temo pelo o que vai sobrar, se vai sobrar alguma coisa.

Como se aprende a viver sem metade do amor da gente?

Quando eu era menina imaginava um amor tão diferente e você chegou e me mostrou um jeito tão peculiar de amar. Como vou aceitar um amor comum depois do teu amor inesperado? Como vou amar qualquer toque se não os teus? Como vou despir-me das roupas e das fantasias da alma se não para os teus olhos? Como vou partilhar os meus dias se não ao teu lado? Como estarei segura sem a certeza da existência do teu amor?

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Karra Tipton)

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