amor fatal

Era diferente. Eles dois juntos, era fatal. Ele era para ela um homem sagaz. Ela era para ele inevitável. Entre eles havia alguma coisa que ardia, que fumegava e pegava fogo quando estavam perto. Se separados eram faíscas, juntos eram um vulcão em plena manifestação natural.

A paixão entre eles, poderia ser o que descreveu sabiamente Luís de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Quando ele para ela, ele devotava-lhe o seu mundo inteiro. Quando ela para ele, ela entregava a si mesma aos braços dele para ser dele o mundo dela.

Nada mais existia para além daquelas quatro paredes, as roupas espalhadas pelo caminho, no tapete, na mesa por cima dos relatórios… as confissões sussurradas ao pé do ouvido; as verdades confiadas por entre o olhar, as declarações assinadas entre as peles quentes…

O tempo os tinham ensinado, que ainda que passasse sem delonga, sem piedade e sem eupatia, ele lhes daria o reparação pela espera obstinada da paixão que escondiam no peito. Mesmo ao passar o tempo que já não seriam mais um do outro, eles seriam fatais no presente que houvesse de ser lhes entregue para estarem juntos mais uma vez. Estariam para si impreteríveis para o amor deles, com um mais um são dois e dois mais dois são quatro.

O desejo tão esperado escondido nas entre linhas de suas vidas que seguia em frente, deixaria de ser poeta para ser prático; deixaria de ser nostalgia, para ser ações mediante a restituição urgente de dois corpos que se renderiam feitos almas necessitadas e sedentas de amor e libido. O amor deles provaria então, que era o reconhecer-se através do corpo nu e da alma destituída da espera pelo outro, do (re) encontro de si mesmo, na medida de entregar-se inteiro aos braços do amor que tinham e portanto, no ato de entregar-se consequentemente para o outro.

Enfim, tua! Enfim, teu!

Declarariam suados, deitados no chão daquele escritório, depois de mais uma vez fazerem do amor, um amor fatal.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Pinterest)

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