a sua bagunça concertou-me

Quando eu te conheci, eu não sabia o que era se entregar de corpo, coração e mente para alguém, aliás eu nem pensava que isso fosse mesmo possível, se não nos filmes clichês nas telas de cinema.

Você chegou parecendo bagunçar tudo e naquele começo, eu não conseguia ver que aquela bagunça era o teu jeito de me organizar para a gente viver à dois. Eu já não sabia o que era dividir qualquer coisa, momento, felicidade ou preocupação que fosse. Eu estava tão acostumada a me virar sozinha, que lógico que eu reclamei, critiquei, questionei, fiz a cabeça dura, não dava o braço a torcer, sempre dava um jeito de ter a minha razão.

Contudo, você foi paciente, além de tudo, você também foi muito persistente. Você insistiu em mim mesmo com toda a minha teimosia e talvez, o amor seja isso, insistir no amor que a gente acredita. Você respeitou o tempo de amadurecimento que eu precisava para aprender a soltar aos poucos o controle sobre toda a minha vida à um, para te somar à ela e viver à dois.

Foi dia a dia, noite a noite, entre idas e vindas, que você foi mostrando que tudo bem, não ter todas as respostas, não estar sempre pronta para tudo, que dá para confiar ao ponto de dividir as lágrimas, as dores, os temores da vida.

Logo eu, tão decidida a viver sozinha, fui aprendendo a dividir a minha vida toda com você. Foi entre o meu caos, que você me ajudou a organizar a vida. Foi entre os meus dias de solidão, que você me mostrou que eu não precisava me sentir sozinha, pois ainda que você não estivesse comigo, você estava presente até na distancia.

Foi respeitando os meus momentos, que você me ensinou que os mesmos momentos podem ser reinventados e você chegou (re) inventando tudo, desde o meu café da manhã com café forte, agora café forte e suco de laranja, até meu o chá no sofá, que agora tem também uma caneca de leite a notinha e quem diria que agora eu tenho um par de canecas, de taças e um pote tamanho G de sorvete na geladeira.

Para quem tinha o pavor a ideia de “o que vão pensar se me ouviram falar assim” às vezes culta, muitas vezes qualquer porcaria, ou vestir assim, às vezes a lingerie de renda mais bela, outras o moletom surrado de 1930, ou se poderiam conviver com meus discursos sem fim e até o meu presente silêncio profundo.

Eu tive pavor da ideia de dividir as minhas manias, de me mostrar direito e você veio me amando exatamente por esse meus jeitos, mais louca do que o normal, mais romântica do que o convencional, mais brava do que simpática e eu te amo, por eu poder ser tudo isso e por ao teu lado, aprender a ser melhor que tudo isso.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Pinteres)

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