depois de 40 dias e um pouco mais

Os dias estão passando depressa ou essa é só a minha percepção da minha própria vida com quarentena ou não e vice e versa.

A cada dia que logo termina e outro que logo começa eu tento aprender a viver. Às 00:00 começo a me revirar na cama, de um lado para o outro, fico de bruços, de barriga pra cima, estendo as pernas na parede, coloco um travesseiro entre elas, tiro as meias, coloco as meias, chuto o cobertor, levanto e o ajeito outra vez, sento, deito, levanto mais uma vez, vou na cozinha, assalto a geladeira pela milésima vez só essa noite, volto para o quarto, oro, choro, grito (em silêncio), então desisto da ideia estúpida de que essa noite eu vou dormir e às vezes, finalmente durmo às 4:00 ou 5:00 da manhã.

O Sol chega no horário de sempre. As pessoas da minha casa se levantam no horário de sempre, para fazer as coisas de sempre (coisas agora ligeiramente adaptadas) . O mundo lá fora, mesmo com a situação estranha de Covid-19, parece está seguindo em frente também. Todo mundo tentando lidar, continuar as vidas que tinham, para não parar completamente.

Eu estou tentando lidar com tudo isso também. De um jeito não tão satisfatório e produtivo como gostaria, mas me esforço. Às vezes, acho que não me esforço o bastante, mas tento. Todos os dias uma cobrança diferente. Um check list novo para cumprir. Um ideia nova para colocar no papel. E eu sou muito boa em por no papel. Foda mesmo é tirar ela depois de lá!

Por um momento, eu achei que os dias presa em casa seriam uma eternidade longa demais e eu acredito, que para muitos está sendo sim (um martírio habitacional no habitat natural de cada um nas suas conhecidas e estranhas casas) no entanto, se me permitem confessar, confesso que aqui está sendo uma letalidade de dias, me sinto morrendo um pouco mais a cada manhã que termina e vem a tarde das cobranças e as noites de relatórios não tão geniais assim. A vida não está acontecendo na realidade tão plena como imagino na minha mente. Acho que estou doente de excesso de planos. Será que tem um diagnóstico não tão lírico para isso?

“Sigo confiante”, “o problema é muito maior do que eu mesma,” “as coisas vão melhorar”,”quando tudo isso passar eu vou dar check em cada item”, “quando tudo isso passar eu vou…”, mas e quando passar mesmo, porque vai, todos nós sabemos que essa droga toda que está acontecendo no mundo vai passar, será que vamos mesmo dar conta de tudo que sobrar e tudo que virá de novo? Temos que dá, não é? Eu tenho que dar conta da minha vida, mesmo quando não faço mais a menor ideia de como fazer isso.

Ok. Respiro profundamente. Tomo um como d’água. Dou play em “I feel it coming” e (re) começo de novo.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Yessica)

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