trinta dias em casa

Dia de sol ou de chuva, dia nublado ou de céu azul cor de mar, nada a tirava do seu quarto: pequeno, abafado e completamente desarrumado: guarda-roupa de portas abertas com as roupas se esparramando pelo chão, sapatos espalhados se misturando com bolsas e papéis de qualquer lugar, a carteira, os utensílios, os cosméticos usados e esquecidos sob a velha cômoda, livros afogados em meio à desolação com algum marcador perdido entre a história abandonada antes do fim.

Não havia disposição para fazer qualquer coisa que fosse além de levantar… levantar para ir ao banheiro para ao menos um banho – quem sabe lavar o cabelo, se depilar, cuidar da pele com um esfoliante barato do mercado e fazer as sobrancelhas sob a luz amarelada do espelho todo embaçado. Levantar para ir à cozinha beliscar alguma coisa ou apanhar um copo d’água para ingerir sabe se lá quantas pílulas – às vezes, por insistentes dores de cabeça, outras vezes nas costas ou nas pernas, algumas para cólicas, mas na maioria das vezes para tudo isso junto, com uma dose extra de alguma outra pílula para ajudar a dormir…

Em dias um tanto quanto menos sombrios: levantar e caminhar até a sala, fechar as janelas, as cortinas e então, desaparecer no sofá com aquela velha roupa de dormir e um edredom roxo ao som de algum programa estúpido da televisão. E quando tudo que fazia, parecia ainda insuportavelmente muito, ela só fechava os olhos e dormia, dormia, dormia.

Por Francielle Santtos

Foto: Reprodução / Dose de Ilusão

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