dias


Tem dias que eu sou assim, isso aqui sem jeito, sem preceitos, sem pra quês e porquês. Dias que eu só quero ficar quietinha, em algum canto de um café da esquina. Sinto borboletas inquietas no estômago, o coração apertado e emaranhado de questões mal respondidas no peito. Peço um cappuccino, aquele de sempre que já me conhece e de algum jeito bizarro me compreende. Não quero ter que dizer nada. Não quero ter que fazer nada. Eu não quero sequer ter que pensar nessas coisas. Eu só quero o silêncio.

Estou impressionantemente exausta. Sinto as minhas pernas querer ceder diante do caos que me aguarda lá fora. Não sei dizer exatamente como isso acontece, mas acontece. Quase sempre essa sensação de querer profundamente o silêncio do mundo barulhento que berra aqui dentro de mim. Eu sei e como sei que o caos lá fora não tem nada a ver com isso. Ou talvez tenha, quem sabe. Droga, eu só quero que ambos calem a boca!

Gostaria de poder silenciar esse barulho e ficar em paz. Estou estranha. Já faz tempo que sinto essas coisas estranhas. Coisas que me tornam vulneráveis demais aos olhares dos outros a minha volta. Sei que tudo isso me mantém distante, me mantém ausente e até indiferente a muita coisa e a muita gente. E no fundo, confesso com todo o meu coração, eu queria (ah como eu queria!) me sentir diferente dessa eu. Mas no fim só me silencio. Procuro não ter que achar palavras que descrevam tudo isso que pouco faz sentido. E se fizesse, que importância isso teria?

Não teria importância alguma, concluo. Sento na mesa de madeira, no canto esquerdo de sempre. Ela é grande. Caberia uma roda com mais cinco amigos aqui comigo. Tem aspecto de casa de vó. Se bem que nunca provei as parcelas de uma vida na casa da avó. A vida na cidade grande rouba essas coisas da gente e tudo bem, já até me conformei. Agora, me basta o silêncio que chega junto com o cappuccino e uma fatia de “bolo de vó”, como diz na vitrine de quitutes. Uma lágrima ou outra salga o meu café às vezes. Olho o relógio no pulso esquerdo, “merda, já são 07h50, preciso ir trabalhar“. Deixo o dinheiro na mesa, aceno para as meninas que sempre me recebem tão bem, atravesso a rua e entro no escritório. Por mais, que eu queira muito escapar da realidade. A realidade de mim não se escapa.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Fossil)

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