esta tudo bem

Não é esforço algum essa minha insistência de não deixar você vê o que está acontecendo aqui dentro sobre você. Não é nenhum tipo de sacrifício, não te dizer coisas das quais sei que você no fundo já sabe. Não é sequer algum tipo de desistência minha, negar-te sobre a minha real intenção de estar na sua vida e de te ter na minha. Tudo isso é simplesmente nada, diante do nada que estamos fazendo com o nosso tudo.

E quer saber, eu estou fazendo de conta sim, que você não é nada mais do que o que se permite ser pra mim. De que tudo bem a gente se vê quando dá. Às vezes, em uma segunda quando eu levo a sua pizza com burrata favorita ou em uma quarta, no meio de uma semana agitada para ficarmos no sofá e assistir um filme de curtas de Hollywood, dividindo um Doritos e uma lata de coca-cola.

Sim, está tudo bem a gente trocar todos os carinhos possíveis. Permitir nossos corpos se conhecerem, se reconhecerem, se apaixonarem e se entregarem como se não houvesse amanhã e dormir colados como se fossemos para sempre ficar juntos nas manhãs seguintes. E na manhã seguinte, a gente se amar de um jeito preguiçoso, doce e calmo, dizer bom dia ou buongiorno e bagunçar os lençóis de novo e de novo…

Enquanto arrumo a cama, você prepara o café na moka. Enquanto preparo a tapioca, você checa os seus e-mails e então, você sempre se levanta de repente e me abraça por trás na beira do fogão e me olha com os seus olhos de girassóis ainda mais belos com os primeiro raios de sol que atravessa a janela da cozinha.

Nos sentamos e tudo bem também ter sorvete de doce de leite com brownie no nosso café, tão rotineiro, apesar de quase raro. Enquanto, você se troca, eu junto as minhas coisas e sempre checo se não esqueci nada e sempre sinto uma inquietação estranha de que é a última vez. Você me beija com as mãos no meu rosto, como se eu fosse tua. Eu ajeito o colarinho da sua camisa azul claro e saímos rumo a nossa rotina.

No portão do prédio nos despedimos e talvez, os vizinhos nos vejam como um casal apaixonado. Talvez, sejamos sim apaixonados, mas fingimos que não é nada, um minuto depois, que enfim nos despedimos mais uma vez você se torna um quase, completo estranho. Internamente desejo parar o tempo e te dizer que isso me basta, se for para partilhar a manhã seguinte mais uma vez. Porém não tenho o poder de parar o tempo e mesmo com o tempo passando depressa, eu não te digo nada, apenas gravo o teu olhar, te dou um último beijo e partimos, como se não houvesse acontecido absolutamente nada.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Ксения Штанская)

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