chega !

Foi quando você saiu pela milésima vez sem se despedir que eu percebi, que já não doía mais tanto quanto das outras vezes. E a consciência de que eu já tinha me conformada com as tuas despedidas dilacerou meu peito em trocentos pedaços.

A que ponto leviano tínhamos chegado. Tu entravas e saías a hora que bem entendias. Eu te recebia de novo e de novo e de novo e depois ficava, sozinha com uma taça de vinho, jogada no tapete da sala, encostada no sofá, em poças de lagrimas, escutando nossas musicas, revirando fotos, tentando entender os porquês.

O que eu poderia fazer uma vez que sobre ti não tinha direito algum? E talvez, essa seja a piada da vida: as pessoas entram e saem quando bem entendem e cabe a nós saber lidar com essas possíveis chegadas e saídas.

Por muito tempo, eu só finge que não doía. Depois passei a ser a pessoa mais dramática do mundo para entender. Agora, bom, não sobrou nada. O nada que é o mais foda de lidar.

Fui aceitando tantas coisas de você. Coisas das quais eu nunca pensei que aceitaria de ninguém. Penso, que deve ser por isso que dizem por aí que o amor é cego. Eu estive ceguinha para não vê essa patifaria toda que tu fez por aqui. Eu lembro que já doeu muito, mas hoje eu penso que até a dor deixa de ser sentida quando alcança um nível alto demais. A falta que você fez por tantas manhãs, tardes e noites me anestesiou.

Hoje, choro por me dar conta que todo o amor que pensei ser tão bonito, congelou-se, escafedeu-se, foi para puta que pariu. Ouvi por aí, “quem tanto se ausenta, uma hora deixa de fazer falta“… eu não deixei de sentir a tua falta, mas não posso mais te deixar entrar, não sinto mais como antes. Estou tomando as providências que deveria ter tomada na primeira vez que você saiu pela porta, sem nem olhar para trás.

Chamei o chaveiro ontem. Empacotei as tuas coisas que sempre esqueceu por aqui. Comprei lençóis, edredons, travesseiros, toalhas novas… estou me livrando de tudo que ainda tem o teu cheiro. Pensei que nunca seria capaz de dizer uma coisa dessas: mas chega! Chega da suas saídas repentinas. Logo, só me resta dizer: que chega das suas entradas na minha vida.

Quanto a você, seja lá onde estiver fica bem! Tão bem, quanto o bem que você me fez (enquanto pode)!

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Macadameia)

2 comentários em “chega !

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s