pedaços

Você era a melhor parte de mim ou talvez, eu quem era alguém melhor com partes de ti, mas agora tanto faz, não é? Não existe mais parte alguma de você, só vestígios do que sobrou de mim com marcas tua. E francamente, é doloroso não me sentir tão inteira, é estranho não reconhecer os meus passos sozinhas, é vazio o meu estado.

Em algum momento que eu não saberia precisar, você entrou em mim e preencheu coisas que eu nem sabia que estavam incompletas. Você transbordou outras partes que eu nem podia imaginar e ainda trouxe mais, muito mais de outras coisas que eu nunca sequer tive a curiosidade de provar, mas você com um jeitinho irrecusável me desafiou a provar e porra, como eu não as tinha provado ainda?!

E é por isso que talvez seja tão complexo viver sem você, porque depois que a gente vive coisas que mudam a nossa maneira de ser, estar, sentir e olhar o mundo, as pessoas, a vida em volta, não é mesmo possível voltar a ser o que fomos um dia e é penoso ajeitar a vida com pedaços que não são mais tão meus, são pedaços mais teus, são pedaços do que foi nosso que carrego e que agora pesam sem você para ajudar a carregar.

Foi particular o nosso jeito de fazer a vida chata, não ser tão chata e a verdade é que a vida continua um pouco chata (às vezes, muito chata!). Os dias são iguais, as horas continuam passando aceleradas e por mais que agora eu esteja em uma rotina diferente, em uma cidade diferente, em um emprego novo, vivendo sob outras circunstâncias, quem eu sou agora ainda assim parece procurar pedaços de quem eu era antes de você e pedaços de quem me tornei com você e que você levou consigo quando me disse adeus.

No fundo sei que posso sobreviver sem eles. Pois imagina só se todos os amantes não pudessem sobreviver com o que restou do amor. E mesmo que seja uma sangria desmedida a gente sempre sobrevive, a gente sempre se reinventa, a gente sempre se constrói de novo. E sim, eu sei que estou de algum modo me reconstruindo, tentando encontrar outras peças que se encaixem no meu quebra-cabeça. Não é uma tarefa fácil, você sabe que não é.

Ninguém me olha à tua maneira curiosa. Ninguém me cativa a tua maneira corajosa. Ninguém sabe como me interpretar a tua maneira generosa. Ninguém me espera como a tua maneira absorvente. Ninguém é tão você para completar tão certo e às vezes ou quase sempre isso é foda!

Confesso, que me surpreendo com o quão mais exigente eu me tornei após você e tudo o que a gente viveu junto. Por vezes, isso me preocupa. A expectativa de um novo amor parece um sonho distante demais, outras é como uma saudade que parece que quer me desfazer em migalhas de tanto que me aperta (eu ainda não sei como chegamos ao fim…).

Acho que no fim, a gente sempre sabe que tudo pode chegar ao fim, mas nunca, jamais, ainda que um monte de coisas, estamos realmente preparados para tal. A gente se joga de cabeça no amor, mesmo sabendo que amar é se ver afogar em um oceano e permitir sentir o amor é tão estúpido quanto tentar respirar debaixo d’Água.

E quer saber, eu me joguei no seu mar, deixei você inundar a minha vida, deixei você me povoar, teu ser me habitar, reformar os meus pedaços feios… alguns de fato você retirou sem precisar fazer sangrar e eu amei os pedaços novos de você que me completou. Não tinha como ser diferente, depois que se reconhece o amor, pedaços da gente deixa de ser da gente para ser de alguém e os de alguém ocupa espaços dentro da gente.

O trágico é depois que alguma das partes decide ir embora. Nunca fica o que foi nosso e o que sobra nunca parece ser suficiente.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Ok Chicas)

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