no escritório

Ela não rejeitou o meu convite para encontrá-la mesmo depois de muitos meses sem falar com ela. Você tem noção disso?

Eu que deixei pra lá tantas coisas nossas, que por muito tempo não fiz muita questão. Vive muitos dos meus dias longe e sem sentir falta ou pelo menos fiz de conta muito bem que não sentia. A considerar também, que eu nunca precisei fazer muitas coisas para tê-la nos meus braços. Eu sempre soube que bastava dizer que precisava vê-la, que ela estaria lá, apenas perguntando o quando e o onde. Mas naquela vez, depois de milhares de outras, eu nem desconfiei que ela tinha mudado. Ela sempre gostou tanto de mim. Nunca tinha me negado nada. Nadinha. Não importava quanto tempo passasse, ela sempre vinha inteira para os meus braços.

Não vou negar que eu gostava dela também, mas a situação que construímos era confortável pra mim. Eu a tinha como e quando queria sem ter que me preocupar com os pres e pós, entende? E quando ela vinha, ah meu amigo… ela era tudo o que eu queria. Nada a parava. Nada a cansava. Não tinha mimimi. Não tinha impossibilidades. Eu a possuía inteira e ela se derretia toda em mim.

Naquela tarde não foi diferente. Não tinha como ser. Quando eu abri a porta do meu escritório, ela estava toda de preto, com uma saia de couro justa, pouca maquiagem como eu amo, cabelos soltos e com aquele sorriso grande que me fascinava. Não falamos muito, a urgência entre os nossos corpos não permitia concentração em nada além de se consumirem inteiros. Tranquei a porta e não pensei duas vezes, a joguei contra parede e a beijei como se minha vida dependesse do fôlego dela. Ela soltou a bolsa no chão, me contornou com os braços e com as pernas e eu a levei para o sofá.

Ela parecia sedenta. Arrancou toda a minha roupa com tanta pressa que eu só conseguia beijá-la entre um movimento e outro. Sabe, quando uma mulher te olha e você sabe que ela é tua? Pois é, ela não dizia uma palavra sequer, suas mãos passeavam pelo meu corpo, suas unhas arranhava levemente minhas costas, a veia alta no pescoço confessavam me suas intenções. O jeito que ela se entregava pra mim era diferente de todas as outras.

E eu não deixei por pouco. Nem poderia. Eu conseguia ver nos olhos dela os desejos que estavam guardados por tanto tempo a minha espera. Beijei ela inteira. Vi o corpo dela se enrijecer inteiro, os músculos contrair, a mãos dela me empurrando e me puxando entre as pernas. Adorava o jeito que ela gemia baixinho, como se me contasse segredos ao pé do ouvido. Toda arrepiada. Toda quente. Implorando por minha força, minha presença mais fundo, e eu fui com tudo. Fazia tanto tempo que eu não ficava tão louco daquele jeito. Ela me deixava completamente louco. Gigante. Extasiado.

Eu te amo“, ela sussurrou baixinho sobre o meu peito retomando fôlego. Eu não lhe disse nada, qualquer palavra errada naquele momento parecia ser fatal, e eu não queria estragar nada. A vida que me esperava lá fora parecia distante demais da realidade que eu tinha naquele momento com ela. Por mais que eu tentasse imaginar outros caminhos para encontrá-la de novo, a cada estação de vida que vinha, parecia roubar de nós as nossas futuras chances.Você é maravilhosa” falei baixinho beijando a testa dela, passeando com os dedos pelas costas nua dela sobre o meu peito, ela sorrio pequeno, sentir a lágrima quente escorrer dos olhos dela, pelo o meu peito…

Não pronunciamos mais nenhuma palavra. Eu a devorei inteira outra vez com a certeza de que tinha de convencê-la a considerar as minhas impossibilidades, mesmo sabendo que ela jamais aceitaria só partes da minha vida. Me senti um cretino por nessa altura da história eu não conseguir me dar inteiro para ela, por isso, bebi cada gota dela, me embriaguei o quanto pude do amor que era dela, do que só com ela eu era capaz de sentir.

Ela se vestiu e antes de sair me abraçou. Eu a abracei com toda força que pude. Não queria deixá-la ir, mas como pedir para ela ficar? Eu não sabia o que fazer. Ela ainda me olhou com os olhos inundados pelas lágrimas que tentava conter, tomou ar e com aquele sorrisão dela disse “fica bem, mozão”… e eu nunca tinha tido tanta certeza que era o fim até aquele momento. A gente sabe quando acaba. Eu soube! Não conseguir dizer nada, apenas a vi entrar no elevador e sair da minha vida para sempre. Coisa que eu nunca pensei que aconteceria. Certeza filha da puta essa minha!

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Your Tango)

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