ao encontrar o amor me reencontrei

Sabe quando todo mundo fala que você tem um sorriso lindo e você se olha no espelho, faz caras e mais caras e não encontra esse sorriso que todo mundo diz?

Existem fases na vida, às vezes longas por demais, que apagam o seu olhar generoso consigo mesmo. Você cuida de todo mundo a sua volta. Você prioriza as vontades e necessidades dos outros. Você se limita para expandir para o outro. Você protege. Você defende. Você se torna coluna, abraço, sorriso para os outros e simplesmente, se esquece da pessoa mais importante para si, que é você mesmo.

Antony Robbins diz que na pratica, em uma turbulência dentro do avião, a primeira pessoa que você deve por a máscara de oxigênio é em você e depois, você coloca no outro. Quando trabalhei a bordo, em todos os procedimentos de segurança (fosse treinamento ou situação real) a ordem a se seguir é: a primeira coisa que você precisa fazer em caso de alarme de emergência é ir a sua cabine, vestir o seu colete salva-vidas e depois dirigir-se à seu posto para ajudar os passageiros.

Assim é na vida, no dia a dia. Não poucas vezes, estamos em sinal vermelho, o alarme interno está soando alto e corremos para salvar todo mundo e esquecemos de salvar nós mesmos. Queremos ser o bote salva-vidas e simplesmente não nos damos conta de que sem o colete, se você cair no mar (ainda que acidentalmente, ainda que tenha as melhores intenções e condições de sobrevivência) você irá sim naufragar. Na bíblia diz: Pois, do que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Marcos 8 v.36)

Eu demorei para perceber que eu tentava fazer todos os papeis da melhor forma (mesmo que inconsciente), mas me deixava de lado. A quantidade de vezes que me silenciei, para não magoar ou ferir o outro é de perder de vista. A quantidade de vezes que deixei que outros ocupasse o lugar que era meu por direito, simplesmente por priorizar vontades e desejos alheios e não os meus, é maior ainda!

E eu ainda achava que estava tudo bem, ocupava-me com tantas tarefas, que cedo, já tinha cargos de liderança, trabalho, cursos, escola para administrar. Logo veio a faculdade, jobs de fins de semana e incrivelmente eu dava conta. Cuidava de tantas coisas externas e pasmem, ainda era “a desapegada” vivia desentulhando o meu quarto e os meus ambientes externos. E eu? Eu nem sei dizer por onde a verdadeira eu andava, no meio do caos diário e com o peso de todas as pessoas que eu carregava nas costas. E carregar nas costas, me refiro a tomar para si os problemas, as dores, as preocupações, as expectativas do outro.

Não venho aqui dizer que devemos ser egoístas e indiferentes às pessoas que nos cercam, por que sim, devemos ser companheiros, amigos, ter empatia uns com os outros. A questão é: o quanto de tudo isso estamos absorvendo dentro de nós? O quanto de tudo e de todos que nos ocupa, sufoca e /ou elimina o que é o “nosso”? (sonhos, vontades, necessidades, prioridades e anseios) O que de fato me pertence nessa bagagem pesada que insisto em carregar?

Falando de mim, não demorou muito para eu fugir. Na primeira porta de saída de emergência que apareceu eu atravessei. O problema de fugir do que é interno é que ou você se faz fadado a fugir sempre ou um dia será confrontado por tudo de que você foge. E não quero poetizar o resultado que é caótico, desesperador e doloroso! Pois você finalmente se acha, quase que “sem querer” e ao se encontrar você se vê fraco, doente, cansado, vitimizado por si mesmo, um farrapo humano.

Ninguém, se te olhar por fora, dirá que está assim. Mas no encontro consigo mesmo, você com você, cara a cara, de frente do espelho dentro do seu quarto interno, você não terá como negar o inegável. E não há “um jeitinho” de conceituar o seu real estado – a culpa, o auto julgamento e condenação é praticamente inevitável.

O sorriso, se pelo olhar do outro é lindo, quando você realmente se encontra por dentro e por dentro não há risos, é impossível ver o tal sorriso. O olhar perde o brilho, a generosidade e gentileza consigo. E você pode estar se perguntando: Como uma pessoa pode tentar ser “boa” para os outros e não para a si mesmo? Eu me fiz essa pergunta muitas vezes. Ainda não tenho uma resposta científica, mas a resposta que venho elaborando diz que às vezes, nós aprendemos amar diversas coisas e pessoas, mas não somos ensinados a amar a nós mesmos.

Somos cuidadosamente ensinados e moldados a sermos bons filhos, bom irmão(a), bons amigos, bons colegas de classe ou de trabalho, bons netos(as), bons pais, boas mães, bons devotos espirituais e etc… mas não somos ensinados a amar na mesma medida ou mais a nós mesmos. E não é a filosofia de olhar só para si (o eu egoísta), mas olhar para si com tanto amor e generosidade quanto fazemos com quem amamos em nosso meio. O maior mestre Jesus deixou por mandamento: “Amarás ao próximo como a ti mesmo” (Mateus 22 v3). Como então podemos priorizar o cuidado, o amor, o espaço, os sonhos dos outros na nossa vida, sem antes ter o auto cuidado, o amor (genuíno) próprio, definir e respeitar o próprio espaço, idealizar e priorizar os próprios sonhos?

Eu precisei revelar o amor para poder me amar de novo, para poder olhar com generosidade a todas as minhas imperfeições e qualidades. Compreender as minhas insuficiências e diferenciações do meu meio (origem), para estudar a minha auto biografia com compaixão e orgulho, entender e reescrever tudo que de fato me pertenceu. E sim, precisei olhar só para o meu eu, para começar finalmente a desentulhar tudo que vinha abarrotado na minha bagagem, que nunca foi meu realmente.

Busquei no íntimo de mim a gratidão por todos que passaram na minha vida e contribuíram com a história, mesmo nos fatos desafiadores, porque sim, todos pertencem a história, mas finalmente os coloquei nos vossos lugares e os mandei embora de dentro de mim, pois aqui dentro só a lugar para uma pessoa pertencer, que sou eu mesma. E foi assim, me conhecendo um pouco mais, me reconectando comigo e com Deus de forma singular, que entendi o manifestar Divino em mim, porque “Deus está em mim como eu” e sendo Deus amor e vice e versa, logo o amor está em mim e o amor por sua vez, flui em mim, de mim, por mim.

Precisamos gravar na mente, no corpo, na alma que somos feitos de amor, fluímos o amor e para que tudo isso deixe de ser só palavras, precisamos sentir e viver o amor (Deus) primeiro em nós e por nós e depois expandir para o outro. Por isso, por favor, se encontre (ou reencontre-se), peça ajuda se preciso e quando se achar cuide de si com todo amor e gentileza que você faria para o seu amigo mais íntimo, aliás, torne-se o seu próprio amigo mais íntimo. Tudo bem, deixar todos esperando um pouco, tudo bem se ausentar, se proteger, se defender, mas cuide e ame você!

Deus te amou primeiro, você tem a obrigação de se amar em segundo.
Finalmente, o tal sorriso que todos diziam, eu pude enxergar, pois ao encontrar o amor, me reencontrei!

Por: Francielle Santos

(Foto: Arquivo Pessoal)

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