esqueço-me que sou, quanto tu és

Esqueço-me que antes de ser tua, eu sou minha, quando nos teus braços encontro a vida que falta na minha individualidade.

Esqueço-me da minhas prioridades, quando a urgência em amar-te soa a campainha como um carro de bombeiros que corta a cidade uivando desesperado para apagar o fogo. Eu queimo por dentro. Queimo entre as peles, quando a outra pele é a tua.

Esqueço-me das razões, dos bons modos, daquilo que descrevem os quadros que meus pais colecionam na biblioteca. O que são os diplomas, as medalhas, os troféus? São nada! Pois ainda que eu seja e tenha tudo que lhes dão orgulho, sem o teu corpo para chamar de meu, sem a tua boca para passear o meu corpo, sem tuas mãos para me segurar na vida, tudo me enfada, me cansa, me apaga. O que vale os prestígios da vida, sem o teu amor para chamar de casa?

Esqueço-me que sou casa de mim mesma, quando hábito o teu corpo. Teu corpo é a minha morada favorita. Amo cada marca de nascença, cada arranhão da infância, cada cicatriz da juventude, me encanto com as tuas linhas de expressão, amo as tuas pintas escondidas que só os olhos de quem te viu nu conhecem e eu tenho ciúmes, quase invejo, descaradamente, quem te viu nu antes de mim. Estou disposta à tudo, mas não estou disposta a dar espaço para que outro te habites, se não eu.

Esqueço-me do que não fui, do que não deu, dos quase’s da minha vida, quando contigo escrevo os dias que são e quando entre um orgasmo e outro, sonhamos os dias que ainda virão. Quando tu em mim estás o tempo para. A exatidão deixa de ser exata, exceto pelo fato de que eu e você quando um, sermos exatos. Passo a ser quem sonhei quando menina, transbordo a juventude que ainda corre quente e insaciável nas minhas veias e encontro a calmaria da maturidade do amor que me afeta, que desacelera a pressa do instante, lentamente permanece, enquanto repouso a cabeça no teu peito aberto.

Esqueço-me da pressa pela vida, quando vivo os dias na vida que é nossa. Pra que pressa se tenho tu comigo, em mim, por nós? Sonho em parar o tempo, pois tudo que foi já não importa muito, tudo que ainda pode ser, pode esperar mais um pouco. Se entre a efemeridade entre os tempos te amo mais do que ontem e também amo tanto como se o dia seguinte sequer pudesse existir. Você é o meu começo de vida e é o ponto de vida que me finda. A vida, penso, pode acabar ali, entre a realidade que nos cerca, os sonhos que nos aguardam e o nosso amor ao meio que nos mantém vivos.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Love and Wild Hearts)

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