tu me enforcas

O que sinto por ti me aperta por dentro. Aperta-me tanto, que por vezes fico sem ar nos pulmões. Aperta-me como se tentasse esfolar-me por dentro, tanto quanto tu me enforcas por fora.

Sinto uma dor que percorre o meu corpo inteiro quando você não está. É a falta doentia da submissão que eu mesma fiz de meu lar. Meu Deus, quando penso nisso, fico tão apavorada, em completo pânico, que penso em saltar da primeira janela à minha frente e fugir de você. Deixar tu e tudo que você me fez para trás. Mas como?

Como abandono o meu conforto? Como deixar para trás tudo o que conheço e que se tornou a minha verdade? Como abandonar tudo o que mesmo me fazendo sangrar, eu amo? Que tipo de amor pode ser esse: que me acorrenta a vida que é tua, que é nossa, mas não é minha? Amar-te me adoece dia a dia.

Sinto uma dor ainda maior quando você chega. Mesmo fazendo tudo exatamente como você ordena, sem recuar, sem questionar… nunca é o bastante. Você me faz doer, porque mesmo eu sendo tudo o que você quer, ainda assim eu não te basto. Você só se aquieta quando me põe ao chão sangrando. E depois que descarrega a minha insuficiência em mim mesma, você me pede perdão… por vezes, até vejo molhar o rosto com lágrimas. Te ouço jurar outra vez que nunca mais, nunca mais mesmo, aquilo vai acontecer de novo. Diz que sou a sua vida. E eu sempre me pergunto: se sou sua vida, como pode me destruir desse jeito? O teu amor me mata!

Quando você finalmente dorme, eu caminho pela casa, traçando planos de fugas. Sei que não mereço aquilo tudo, por mais que você diga que a culpa é minha. Por vezes, eu destranco a porta e penso em sair por ela, para nunca mais atravessar ela e nem todo o inferno que você provoca por aqui. Mas me falta tudo. Da força nas pernas para mover meu corpo à frente, a certeza se darei conta de encarar a vida lá fora sem você. De todo o mal que você tem me feito, o pior mesmo eu me fiz: foi ter me deixado depender de você para viver, sentir essa impotência diante da vida e das escolhas que eu preciso fazer.

Ainda com a porta aberta, sinto meu coração bater tão forte no peito, que penso que posso ter um principio de infarto (poderia ser uma boa alternativa). O medo corre quente e venenoso nas minhas veias e me paralisa. Recuo. Tranco a porta. Deito na cama ao seu lado. Te vejo dormir e aquele que dorme tranquilo parece com o homem lindo por quem me apaixonei e prometi viver a vida inteira ao lado. Às vezes, desejo que você nunca mais acorde, mas meu peito me condena. Então eu desejo que eu nunca mais acorde, ao seu lado.

Por: Francielle Santos

Violência contra a Mulher é crime – DENUNCIE 180

(Foto: Reprodução / Pinterest)

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