coração silenciado

E de repente, tudo o que eu achava saber e conhecer sobre o que eu sentia e percebia do mundo, deixou de ser real. Meu coração foi silenciado. Nenhuma palavra que eu sabia podia explicar sobre o que aconteceu comigo. A percepção da dor e da vergonha desapareceu, assim como todos os sopros de felicidade e liberdade que eu achei que tinha vivido. Nada mais era real.

Eu desapareci de dentro de toda a realidade que eu havia construído para aquela quem eu chamava de eu pelas ruas, aquela quem eu apresentava as pessoas com tantas vertentes diferentes, por todos os caminhos que eu atravessava, aquela a quem muitos admiravam e odiavam. Eu não pude mais segurá-la em mim, por mim. Eu a vi desaparecer como uma fumaça que se desfaz no ar.

Tudo que me mantinha em segurança de mim mesma, deixou de ser e eu estava nua diante do mundo que me cercava. Fiquei apavorada! Queria desaparecer junto com ela. Não poderia perdoa-la por me deixar para trás daquele jeito, ali, no chão, sem nada, mas ela me deixou. Ela com todas as mentiras, todas as fantasias, todas os faz de contas, todas as máscaras, todas as armaduras. Ela me deixou indefesa.

Eu já tinha perdido tudo. A versão boneca de porcelana fora a que sobrara intacta. Eu a odiava com todo o meu coração. No entanto, por vezes, era ela quem me mantinha salva de mim mesma e dos outros, principalmente dos outros.

Passei dias tentando, pra começar, a engolir o choro silencioso; tentando organizar os pensamentos, de modo que fizesse sentido outra vez; tentando me esconder da verdade que sobrou, por mais que eu a quisesse mais do que as batidas do meu coração. E me dei conta que eu não podia mais evitá-la, pois eu já estava descoberta de tudo o que eu não era de verdade.

A verdade, mais cedo ou mais tarde vem a tona e quando chega, ela é inflexível!

Em todos esses anos, eu sempre soube que ela estava ali, escondida, mas estava ali em algum lugar dentro de mim. E o dia que viesse a tona eu sentiria uma dor tão grande que eu temia não resistir. E ela não resistiu, aquela a quem me protegia ou me escondida da realidade, não resistiu. Quando a verdade veio, ela se desmanchou completamente e me deixou caída no chão, em completo silêncio.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / 500px)

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