o que a tua ausência me faz

Perdi as contas de quantas madrugadas eu caminho pela casa, encaro a cama vazia e tenho vontade de chorar. Hoje, amar-te me faz chorar, me rouba o sono, os sonhos e quando sonho, a vida depois deles.

Mesmo quando o meu corpo já cansado demais para resistir as tempestades de pensamentos que me assolam, se rende e eu adormeço no sofá, tu me visitas e eu acordo a beira de um infarto. E que Deus me perdoe por tamanha injuria, mas chego a desejar um infarto do que mais um dia sem a certeza se tu vais chegar, de que tu vens me fazer sorrir. Por vezes, me falta a tua capacidade de me fazer sorrir para suportar os dias maus.

A incerteza se tu vens e quando vens é a faca que corta pedaços da minha vida a cada dia. Tua existência que não deixa de ser, porque prometes que vens e nunca chegas me rouba os dias leves. E eu te odeio por fazer isso. Por dar me esperanças vazias que me tiram o sossego. Por tornar presente a ideia que chegarás um dia, um dia que até os anjos duvidam que acontecerá.

Tu se acostumou a me enganar com teu jeito de dizer que sente saudade. Que se dane a tua saudade! Que se dane você e todas as promessas rasgadas ao meio! Que se dane todos os dias que você não veio, mesmo garantido que viria! Antes se ao menos fosse honesto e dissesse que tudo o que arde em você por mim, é o desejo pelo o corpo que é meu e que você ganancioso fez de só teu.

Tenho vontades absurdas de me abandonar em uma esquina como você fez comigo, só para não sentir esses impulsos transgressores de você na pele que é minha, no peito que é meu, nos pensamentos na cabeça que está em mim.

O problema de me entregar as tuas mãos, foi ter perdido o domínio de tudo que habita o meu corpo para você, como se perde todos os bens em uma mesa de jogo. E o pior, ter me perdido para alguém que não fez questão de tomar tudo para sempre, ou pelo menos, pelos os dias que a minha vida ainda pulsava no peito.

O senso do teu abandono pelos planos que eram nossos, ao ninho que construímos me rouba a coragem pela vida. Ao mesmo tempo em que tenho coragem de ainda te amar tanto, te esperar todo dia, dobrar os joelhos ao pé da cama e implorar à Deus para cuidar do que eu não posso cuidar. Tornei-me uma cretina, uma tola, uma refém do que não é mais real. Sou alguém insaciável. Pequena diante da vida que sobrou depois da sua passagem pela minha vida, que tu tomou como tua.

Escuto os resmungos dos meus falando do quanto estou distante de tudo. Estou sobretudo distante de mim mesma, eu sei! Te amar, me rouba a presença em mim, a presença em quem quer que seja. Mas te aviso: ou tu vens ou eu vou pra sempre. Só não posso mais resistir os dias sem ti!

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Wattpad)

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