triste domingo

Nós não estávamos bem. Eu sabia. Comecei a perceber a indiferença dela sobre os meus desmandos. Não foi da noite para o dia que o silêncio entre nossos momentos mais íntimos chegou. Foi uma pitada a cada dia, semana a semana, mês a mês.

Ela não me deixou no impulso. Ela pensou muito. Dias. Noites. Madrugadas que ela revirava na cama sem conseguir levantar. Às vezes, até levantava e eu sabia que ela dava voltas pela sala. Houve vezes que eu até achei tê-la ouvido chorar. Soluçava baixinho. E eu e o meu orgulho me mantinha imóvel na cama. Eu virava e me obrigava a dormir. Fingia que não percebia nada.

No fundo, eu queria ir até lá. Todas as vezes. Queria abraçá-la como eu fazia no nosso começo e ela agoniada por outros problemas se lançava nos meus braços em busca de sossego. De tudo entre nós, o que eu não me perdoo, é eu ter deixado de ser o sossego e virado o tormento para a vida dela.

Se bem que eu nem sei como cheguei a esse ponto, mas cheguei. O amor foi esfriando quando eu deixei de estar lá para ouvi-la, para tentar entendê-la, mesmo o modo de pensar dela sendo muito difícil pra mim entender (quem é que entende perfeitamente a cabeça de uma mulher?). Contudo, a questão não era se eu entendia perfeitamente, a questão era se eu tentava, se ao menos tentava…

Quando os nossos dias sombrios chegaram (porque eles sempre chegam), eu não me esforcei mais para tentar. Não me perdoo por não ter tentando concertar. Sei que não havia garantias se eu conseguiria, mas o que ela queria de mim era ao menos a esforço de tentar nos acertar por nós.

Houve um bom período que ela consertava a gente por nós. Arrumava não só a bagunça na nossa casa, mas a bagunça dentro da gente. Sugeriu que fizemos terapia de casal e eu achei aquilo um tremendo desperdício de tempo e dinheiro. Ela acreditava que podia ajudar e começou sozinha. Ela me amava tanto que estava disposta a todas as possibilidades por nós. O ponto é que por mais que ela se esforçasse muito, ninguém consegue levar uma relacionamento nas costas sozinho por muito tempo.

A minha garota era forte. Nunca duvidei. Ela nos arrastou sozinha por bastante tempo. Mas as forças até de quem a gente pensa ser infalível acabam. A dela acabou. Quando eu acordei para nós, ela já não estava mais lá. Foi o domingo mais triste da minha vida inteira.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Meral Meri)

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