volto a ser tua

Eu estava aqui a tua espera, mas tu não vinhas.

Eis de todos os meus grandes erros o maior e mesmo assim, eu erro de novo: eu ainda te espero! Arrumo todo esse apartamento como se fosse receber o príncipe Charles ou qualquer príncipe de alguma terra distante que a gente nem sabe que existe no mapa. Fico horas assistindo algum mestre de cozinha preparando as receitas no Youtuber para um jantar memorável e por vezes, tenho impulsos de ligar para meu restaurante de comida japonesa favorita e mandar entregar o jantar às 21h00. Coloco o vinho para a gelar. Tomo um banho longo e todas as providências que uma mulher tem que tomar. Escolho a melhor lingerie, sempre rendas brancas que eu sei que tu gosta. Visto um vestido de cetim que ressalte bem todas as minhas curvas. Até capricho um pouco mais na maquiagem, por mais que eu não tenha paciência nenhuma pra isso e você sabe. Ligo o som baixinho com uma dessas playlist prontas do Spotify, me sirvo uma taça de vinho tinto para dar conta de ouvir o tic-tac do relógio da sala sem arremessa-lo pela janela. Sento no sofá. Levanto. Ligo a TV. Desligo. Vou na varanda, vejo a vida acontecendo nas outras varandas do condomínio. Sirvo outro tanto de vinho. Encaro o espelho do corredor. Sento na bancada da cozinha. Volto para a sala. Sento no tapete. Pego um livro. Outra taça. Navego pelas redes. Te encontro por lá. Atiro o celular no sofá. Abro outra garrafa. Faço um coque rápido no cabelo. Bebo no gargalo. Pego o celular jogado. Digito algumas palavras: “to com saudade!” ; “tu vem hoje?“; “te amo tanto“; “to te esperando“; “Oi“; “te odeio!”; “……”. Arremesso o celular mais longe ainda. Sinto as lágrimas quentes e raivosas descer. A minha razão senta-se ao meu lado. Me bate. Me humilha. Deito no chão e mesmo bêbada tento falar com Deus: “me faça esquecer!“.

A liberdade está sempre a um passo de te esquecer ou de te viver de novo.

Ainda caída no chão da sala, com a segunda garrafa de vinho já pela metade. Tudo o que quero é te esquecer. Tudo o que mais quero é ser livre de você. Mas tudo o que o meu corpo quente faz é te lembrar, te sentir, te viver. Meu coração orgulhoso que não admite ficar para trás, pulsa na memória a tua voz, o teu cheiro, os teus sabores, a tua capacidade de ser exato em mim. E é óbvio, que depois da razão me dar uma bela de uma surra, ela apanha dobrado da saudade que te chama, que te ama, que te deseja. Eu literalmente me abandono e vou te procurar em mim. Minhas mãos percorrem o meu corpo tremulo em busca das tuas marcas. As lagrimas suplicam por ver os teus olhos maliciosos, teus músculos se contraindo… Suspiro baixinho que te amo mais do que qualquer razão, qualquer não, qualquer fim. Mordo os lábios e minha boca saliva por tua língua na minha. Se encontrei o fim da minha vida, encontrei dentro da tua boca. Aperto as colchas e te odeio, por bastar pensar em você e já está completamente pronta para te receber entre elas. É verdade que tu sempre conseguiu fazer-me pronta antes mesmo de encostar em mim. Tu sempre teve uma habilidade insuperável de me tirar a roupa com os olhos, de me convencer sem palavras, de me render só por estar na minha frente. Se eu tive um fraco quando te conheci? Meu amor, eu despenquei de um avião a sabe se lá há quantos metros de altitude. Eis ai outra coisa insuperável! Mas pior do que tu ser insuperável, é isso me tornar não solucionável sem você. De todas as dores que me faz sentir, está eu nunca te perdoarei. Por isso, desisto do meu corpo, mesmo que ele não desista de você.

Quando eu desisto, tu bates na minha porta.

É sempre quando eu desisto de ti com todo o meu coração. Que abro mão de tudo que foi nós. Que abandono a esperança que tenta me convencer que você é o “the one“. Que aceito outras alternativas. Que decido seguir em frente, mesmo não tendo a menor ideia de como fazer isso… é que você bate na minha porta. E sempre basta que você bata na porta para que qualquer ideia dessas desapareça completamente da minha cabeça. “Está atrasado!” tenho vontade de gritar com você. Mas tudo o que acontece a seguir, é tudo o que não sou capaz de evitar quando tenho sede, fome e tudo o mais de você. Até esqueço que as persianas estão abertas. Não quero ouvir tuas palavras. Também não quero gastar minhas energias com as minhas. Concentro-me em desabotoar a tua camisa branca. “Seu filha da puta, sabe que eu não resisto uma camisa branca!” Penso e sorrio te olhando, em quanto tu me observas a te arrancar tudo. Fico de joelhos a tua frente e desconto a minha raiva toda com a boca. Tu agarra o meu cabelo com força. Pede pra continuar e eu te devoro. Deve ser algum revez de vingança, não te perdoou por me fazer esperar tanto. E tu vens, antes mesmo que seja capaz de me convencer. E é a tua vez. Rápido, objetivo, forte a me colocar em cima da bancada. A beijar-me inteira. A embriagar-se com cada gota do meu desejo. A acatar obediente cada necessidade de uma mulher completamente viciada e obcecada por tuas mãos, teus olhos, tua boca, teus braços.. Há sempre muita força quando chegas e me tortura se vais ou não. Te pressiono com as unhas que te marcam a pele e imploram por ti. Há o instante exato que eu renasço das cinzas, o instante quanto tu não hesitas a força, a calma, a proximidade, as mãos quentes segurando as minhas mãos que tremem, o olhar que me mantem de olhos abertos e tua a voz rouca no pé do meu ouvido dizendo: “minha, você é só minha“. Esqueço de tudo quando te ouço e quando estás inteiro por dentro. Sempre basta que você venhas à entrar para que eu volte a ser toda tua e te ame como nunca.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Dirty Boots)

3 comentários em “volto a ser tua

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