me devolve a fé no amor

Me devolve a fé no amor que eu tinha antes de você. De tudo o que você tirou de mim, a capacidade de acreditar no amor é uma lástima.

Eu tento. Juro que tento. Crer nas pessoas. Crer nas intenções boas que podem vir delas. Crer que elas não farão o que você fez friamente. Crer que ainda existe amor por aí. Porém é difícil. Muito mais difícil a cada nova decepção.

É como se criasse uma crosta em torna do coração, da fé. Logo aqui, que sou tão dada a romances. Que ainda chora quando o filme é realmente tocante. Que sorri sozinha quando vê um casal de velhinhos de mãos dadas a passear na praia, a olhar um nos olhos do outro, a passar protetor como se a vida fosse só aquele instante e a vida que vale a pena é. Eu que ainda escrevo tanto sobre amor. Leio sobre o amor como se fosse oxigênio para me manter viva. Já não sou mais capaz de sentir.

Não me perdoo por ter me tornado uma hipocrita. Sim, o que me sobrou foi isso. Acredito no amor para os outros. Admiro o amor a distância, mas falta-me a coragem e humildade para permitir que o amor me alcance com todos os riscos que decorrem por ele.

Antes de você eu tinha coragem. Coragem para andar em cima de uma corda bamba sob um abismo de olhos fechados. O amor tem disso: coragem para segurar tuas mãos sem que precisasse me garantir a vida toda, pra mim sempre bastava que me garantisse um dia ao teu lado. E como era lindo todos os nossos dias. Sol. Areia. Mar. Vento. E às vezes, até chuva. Contudo, era lindo.

Todavia, hoje me falta tudo. Até a coragem que era das minhas qualidades a número um. Quase admito que o medo venceu, mas isso é humilhante demais para se admitir em voz alta. Então só recuou. Fecho todas as janelas. Todas as portas. Faço de conta. Às vezes, quando insistem muito eu invento que tenho alguém. Os convenço que não posso. Que tenho outros prioridades na vida. E tenho mesmo. Mas aí vem as noites de quarta, as sextas e as manhãs de domingo e me lanço em rosto a minha covardia.

Como ter coragem depois do tamanho do estrago? Como correr o risco de quase desaparecer de novo? Como permitir entrar alguém que pode sair sem nem se despedir de novo?

Dentre tudo ainda tem a pior parte. Quanto mais resisto, mais parecida com a tua pior parte eu fico. Sempre fui uma boa aluna (nerd mesmo). Porém aqui eu detesto ter aprendido tão bem a fazer e ser exatamente como você. Percebo quando tento, ainda que quando dou um pequeno passo a frente e as lembranças me tomam como um gênio ruim e eu repito igual e às vezes, até melhor (pior) o que você me fez com gente que não tem nada a vê com isso, que nem merece essa merda toda como eu não merecia.

A diferença entre nós, é que eu ao menos sei o quão horrível isso pode ser. Você nem disso tem noção ou se importa. O ponto é que você me ensinou a ser como você, sem perceber. Só não entendo como você não aprendeu nada comigo. Ai me bate aquela sensação de insuficiência e eu tenho vontade de te dar um chute bem dado entre as pernas, entretanto, mantenho a postura.

De tanto que precisei aprender a me defender de você, acabei me tornando uma muralha da China para qualquer um. Você que tanto que me fez feliz, hoje só te sinto nas piores partes de mim, nas partes que faltam.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Evelyn)

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