acerto x desistência

— Pararam de brigar por que se acertaram ou por que desistiram?

Um nó na minha garganta se formou. Desviei o olhar. Não soube o que dizer de bate e pronto para aquela estranha amiga do outro lado do balcão do bar em Moema. Enquanto ela buscava outra taça de vinho branco, ganhei tempo para encontrar a resposta que eu já sabia qual era, só não queria admitir em voz alta. Dizer em alto e bom tom que desistimos feria mais que todas as decepções que causamos um ao outro durante o caminho. Dar voz e nomes aos fantasmas tornam-os reais.

— Desistimos! (respondi virando a taça de uma vez só, enxugando com dorso da mão a enxurrada de lágrimas) Quero uma dose de Whisky com duas pedras de gelo, por favor!

Não tinha muito o que dizer. Desistimos. Simplesmente, desistimos. Penso que chega um ponto que entendemos que não vale mais o esforço pelo concerto do que quer que seja. Eu estava exausta de explicar. Tu estava exausto de tentar entender. Eu não aguentava mais a indiferença. Tu não aguentava mais as cobranças.

Tudo isso não quer dizer que não fomos felizes. Porque fomos e ainda somos, de um jeito estranho, morno, conveniente, mas às vezes a felicidade é isso não é? Uma quinta-feira de chuva contínua, sem trovões, sem raios, sem ventania. Nos adaptamos e nos conformamos a um dia que chove, chove, chove e todo mundo segue com os seus compromissos como se fosse um dia de sol. O problema é que lá em casa chove e chove há dias e nós nem nos lembramos direito como eram os dias de sol.

Te amo e o quanto te amo não está nem escrito. Mas eu nasci para o sol, para a quentura, o ardor, a transpiração. Que falta nos faz os nossos dias de sol!

De repente, sinto saudade até de todas as nossas brigas, porque elas representavam a tentativa de conserto, de que ainda estávamos procurando ajeitar as coisas, de que estávamos lutando por nós. Quando foi que desistimos de lutar por nós?

Sobretudo, eu tenho saudade de fazer as pazes contigo. Pois era ali, ainda com raiva, com dúvidas, por vezes com lágrimas que renascemos das cinzas. Estamos mortos e já não nos importamos mais com isso. Sei que chegou a hora de deixar você para voltar a viver de novo, mas como voltar a viver sem metade da minha vida que está emaranhada a ti? Como viver sem te amar se tudo o que tenho agora é este amor?

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Wildest Lovers)

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