Curvas

Há sempre um fim em mim quanto tu vens e permanece impregnada na minha pele.

Desço pelo teu corpo engrenado para não me perder em cada uma das tuas curvas. As curvas, a minha inteira perdição.

O que é o começo da vida se não o instante quando apetece?

Basta um instante. Tu apetece em mim e todo o resto esqueço. Esqueço-me fora de ti, até que torno a existir dentro de ti.

Os teus olhos seduzem as minhas seriedades, convencem a minha sobriedade, confessam as tuas intenções, sagacidades e a nobreza do teu coração.

A cor bronzeada da tua pele provoca os meus instintos. O teu perfume embriaga a minha coerência. O teu calor torna-me um criminoso, réu, entregue, louco, apaixonado.

Submeto-me as tuas vontades todas. Declaro-te as minhas verdades. Não posso evitar a estar contigo. Não quero ter que evitar te amar mais um dia.

Se o fim me alcançar, me reencontre nos papéis espalhadas na escrivaninha do meu quarto. Te escrevi neles para escapar do teu fim. Até o dia que as palavras me abandonaram como tu, as lágrimas não deram conta de te amar, estragaram tudo e o fim me alcançou.

Não te perdoou por ter me abandonado, mas te perdoo por ter estado nesses papéis comigo, já que agora não existo como antes para te juntar para dentro de novo.

Caminho pelas ruas, bares, boates só. Não me sinto somente sozinho. Eu estou perdido por aqui, por ali, por dentro. Perdido. Esperando que você encontre o caminho para os meus braços ou que eu encontre o caminho até as tuas lindas pernas.

Os dias continuam exatamente iguais. Iguais e eu não sou mais capaz de crê-los como antes. Escritório. Reuniões. Almoços. Cafezinhos. Tudo se resume a isso. Era assim antes. Continua sendo assim depois. Eu desacreditei de tudo isso no meio. Tu é o meio, o centro, o vazio, o buraco entre o meu pulmão e o meu fígado.

Se eu não pudesse sentir o meu coração no meu pulso esquerdo, juraria que meu coração já não bate mais há dias, semanas, meses… já não lembro bem quanto tempo faz que me sinto assim, meio morto. Amar-te me trouxe a vida e tirou-me a vida na mesma medida.

Há tanta gente em volta. Há tantas outras chances de dias felizes. Outras possibilidades. Outros caminhos. Outras curvas. Todavia, não há você.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Habibi Girls)

(Voz: Autora / Francielle Santos)

(Música: Reprodução / Spotify / All Of Me – Piano)

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