não haverá nós

Eu sinto sim a tua falta, mas já não é como antes. Acredito que tudo mudou quando eu perdi todas as esperanças. Tudo muda quando a gente perde as esperanças.. e eu não tenho mais esperanças nenhuma em nós dois. Por isso, hoje, quando você cinicamente questiona se eu ainda tenho saudades, eu já não posso responder como antes, sem hesitação, porque até sinto saudade, mas já não faz mais sentido senti-la, confessá-la.

Tudo mudou no dia que eu entendi que tinha acabado. Que a vida, seja ela o que tenha reservado para nós dois, com toda certeza não preparou um tempo para ser nosso. Não haverá nós… não haverá!

Doeu tudo por dentro. Me senti invadida por uma tristeza nova e sincera. Como uma flecha cravada no alvo, me vi ferida por uma das únicas certezas que eu não queria ter na vida: o nosso fim. Não encontrei argumentos. Contra-pontos. Você tinha seguido em frente de uma jeito irreversível. Dizem por aí, que só para a morte que não há jeito. A nossa vida seguiu e provou, que há muitas outras coisas que não há jeito também.

Sei que não planejamos. Essa também é outra das certezas que temos. A vida e suas caixinhas de surpresa, que às vezes, eu tenho uma vontade absurda de mandar a merda! Ainda por cima, me sinto cretina em lamentar. Não devo, sei que não e mesmo assim eu lamento! Não queria te perder assim. Não queria te perder sem nem ter a chance de lutar por você. Como competir com isso?

No fundo, há também o meu ego. Esse que você conhece melhor que muita gente. Que não dá o braço a torcer fácil e que não queria ter que brigar de forma alguma. Não queria ter que te provar nada. Não queria fazer nenhum esforço, admito – envergonhada, mas admito.

Voltei. E esperava girassóis do portão até a nossa cama. Serenata. Pombo correio. Brigadeiro com morango ou cerveja com Doritos. Versos de poeta aclamados rabiscados na conta de luz. Teus braços abertos a minha espera. Quanta pretensão brega essa minha, não é?

Voltei. E você, e nem a esperança de te viver, estava em casa.

Tenho uma saudade que me dá raiva e faz-me chorar. Guardei, no fundo da última gaveta da comoda a caixa que trouxe comigo, dentro um post-it cor de rosa florescente escrito: “estou pronta agora!“, em baixo um vestidinho azul claro, com lacinho e sapatinhos que comprei para o nosso sonho mais puro – finalmente, você tinha me convencido, imaginei tanto ela com os teus olhos negros…

Saudade de ter você para sonhar o nosso maior sonho.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Dirty Boots and Messy Hair)

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