Carta – Outono de 2017

Oi…

Te escrevo, porque preciso te dizer coisas que estão me sufocando, talvez, você nunca leia estás palavras, acho que nunca vou ter coragem de te entregar essa carta, mas se um dia você as tive em suas mãos, espero que possa sentir os fragmentos que deixou na minha pele, no meu coração.

Você traz à tona as realidades das quais venho tentando fugir, me esconder por tanto tempo. Independente do que de fato aconteça comigo ou com o nosso tão abstrato “nós”, quero (preciso) dizer sangrando por minhas duras verdades que, honestamente, eu não sei lidar com as ondas de sentimentos e medos que me encobrem, que me afogam. Eu não aprendi a nadar no mar da paixão. Me sinto afogando outra vez.

Eu só queria que você não tivesse me deixado assim, com uma pequena esperança do seu possível retorno para os meus dias. Talvez, você tivesse me deixado em paz se tivesse se despedido com um tradicional adeus, daqueles que não deixam duvidas do fim. Esse pequeno vaga-lume que lembra-me que tu estás por aí e estás a qualquer instante de voltar me inquieta todas as madrugadas.

Quero que saibas que eu não queria te sentir tão em mim como sinto que você está. Penso que eu estava tão vazia, que me me embriaguei de você desesperadamente e agora, que já está começando a evaporar cada gota de você pelos meus poros, sinto-me já a enlouquecer de abstinência tua (meus lábios salivam por teu gosto).

Resta-me no auge da minha solene angustia, sonhar com o teu retorno ainda pra hoje! Tenho pressa de você. A realidade de que você foi só um fragmento, me consome e sinto como se eu estivesse a cair de novo, no escuro poço em que estava antes de você.

Também preciso confessar que eu menti. Menti quando disse que não queria nada de volta quanto me dei a você por inteira. Acho que eu queria ser capaz de cumprir o que disse, mas como não querer mais de você depois de tudo o que vivemos no nosso pequeno cosmo azul?

Temo acordar do que sinto e te descobrir fantasia. Temo que você nunca volte. Temo que você chegue e eu ainda não esteja pronta. Estou vagando perdida entre as lembranças do que vivemos, estas que são como uma massagem cardíaca que fazem o meu coração pulsar deste jeito. Estou flutuando nas ideias de nós por ali, por aqui, por dentro.

Sinto saudades de você inteirinho!

Com amor, Fran.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Chuvakhin)

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