“eu estarei sempre aqui”, você disse.

“eu estarei sempre aqui“, você disse.

e eu, pelas madrugadas, ainda reviro os lençóis procurando por ti, como se tivesse perdido um par daqueles brincos de esmeralda que me deu no meio da nossa antiga bagunça.

“a tua pele tom de cappuccino combina com essa cor, amor! ” você disse, com aquele olhar bobo e aquele teu sorriso iluminado que sempre (de maneira inconsequente) desmontava qualquer cara amarrada, braveza ou razão minha.

lembro, de ter provado os brincos no mesmo minuto que os ganhei, na frente do espelho do banheiro, enquanto os colocava, meus olhos sorriam ao te ver pelo reflexo do espelho encostado na porta, observando-me com tanto afeto e toda aquela tua gana.

senti um tremor em algum canto do lado de dentro. um calor percorrendo o meu corpo. uma certeza ecoando em algum lugar entre o meu coração e o meu fígado e silenciando as dúvidas sobre o que eu sentia.

eu te amo” sussurrei como se contasse um segredo pra mim mesma. os seus olhos que naquele instante estavam fixados na minha boca, confessaram ao teu coração o que os teus ouvidos não puderam ouvir.

ainda sinto tuas mãos segurando com firmeza a minha cintura. os seus braços contornando o meu corpo como se fossem um cobertor. a temperatura do teu hálito na minha nuca. a pressão da tua cabeça enterrada no meu pescoço. os teus olhos, outra vez, encarando-me pelo reflexo do espelho. a tua seriedade como se estivesse assinando um documento, a tua voz firme quebrando o silêncio e preenchendo todo espaço ao redor: “eu te amo mais”.

desejei parar o relógio. fotografei mentalmente o nosso reflexo no espelho (planejei (te) guardar para sempre) . por alguns segundos, viajei no tempo sem perder aquele reflexo de vista, admirei a nossa imagem refletida envelhecendo, lentamente, sem deixar de estar lá, de existir ainda que tudo. me senti em casa.

você é meu lar” lembro de ter sussurrado no teu ouvido. senti o arranhar da tua barba por fazer, enquanto os meus lábios entre abertos deslizavam pelo o teu pescoço até tua boca. respirei o teu cheiro. te beijei, como se a minha vida precisasse do teu beijo para resistir (e ainda precisa). senti todo o teu corpo reagindo as minhas inquietudes e pressionando o meu corpo contra a pia. a confiança das tuas mãos segurando tudo o que eu era e tudo o que eu viria a ser. sem se afastar totalmente, você me olhou diretamente nos olhos, me deu um beijo na testa e garantiu: “eu estarei sempre aqui”.

e eu, pelas madrugadas, ainda pergunto para as paredes por que você não está ?

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Dirty Boots)

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