Eu não soube te amar

Eu não soube te amar. E eu teria como saber a te amar (assim de cara, sem equivocar-me nas suas preferências, sem cometer enganos, erros pequenos e erros grandes, ficar sem jeito, gaguejar, tatear antes de segurar firme, não recuar antes de ficar com ou sem certezas) sem antes amar propriamente amando-te?

Desde o dia que eu sussurrei pela primeira vez que eu te amava, como se eu precisasse ouvir qual era a melodia do lado de fora do que cantarolava por dentro, eu senti um medo de cão do que o efeito do eco de tais palavras poderiam causar do lado de fora no meu mundo.

Eu sei que eu tentei acertar contigo, conosco. A grande ironia nisso, é que é exatamente quando a gente tenta demasiado acertar, erramos de jeitos desmedidos.

E eu cometi tantos erros com você, que ainda hoje, flagro-me censurando o reflexo do espelho, como se ainda houvesse tempo pra concertar as nossas coisas quebradas. Será que já inventaram algum tipo de cola pra dá jeito em amores quebrados?

Eu queria ter sabido te amar direito.

Ou ter compreendido, assim logo de cara, que a gente tinha tudo pra da errado, mesmo que eu acreditasse, sem nenhuma sombra de dúvida que a gente tinha tudo pra da certo. Sobretudo, penso que não é certo, ainda que seja mais realista, amar alguém considerando as estáticas de fracasso. Foda-se as probabilidades! (e que merda, que eu não prestei mais atenção nas aulas de matemática).

Eu queria ter confessado a ti (a tempo) que eu não sabia como te amar, quem sabe, você teria me ensinado. Não teria sido assim mais fácil?. O tempo que não perdoa ninguém. Nem os amantes que amam em silêncio. Nem os poetas que amam aos berros. E nem os amadores que amam assim, deixando coisas por dizer, meio torto, desengonçado.

Eu, que também não fazia ideia de que o meu tempo estava acabando. Que acreditava no “até depois que nossos fios de cabelo ficarem grisalhos à se desfazer”, regava a nossa história com a esperança do amanhã e depois, e depois, e depois … ainda questiono-me na terapia o porque que acabamos; choro de baixo do chuveiro dos porquês que vou encontrando; procuro reerguer os meus planos sem as partes de você, para seguir, mesmo que sem poder te amar do meu jeito errante. (é doloroso constatar, que a gente tinha tanta coisa ainda pra viver e não viveremos!)

Estou aqui, sentada nesta sala, não há taças de vinhos que anestesie minha dor, nem cobertor que aqueça o frio da tua ausência, nem companhias que preencham está tão presente solidão… ainda estou assim, pausada na cena em que eu tenho tempo para aprender a te amar melhor, que ainda não sei como te amar e mesmo assim, te amo profundamente.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Dirty Boots)

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