o não alcançar

Eu não te alcanço e ainda quando o faço, é só outra das minhas tantas divagações. Sinto desprezo por esse sentimento de pequinês que envenena o meu sangue quando estou diante de ti. Curvo-me aos teus arroubos famintos. Revelo-te as minhas ganas todas que latejam, enquanto ardem na minha pele, não temo o mal. Não temo a nada. Nem mesmo pela certeza de que os meus pedaços ficarão no chão.

Eu, que sou chama alta quando a paixão incendeia o meu peito, sou incapaz de negar que, eu te quero! Quero-te, ainda que tudo. Quero-te, para tudo. Um querer violento. Temível. Inflamável. Reconheço nas veias das tuas mãos as minhas ambições e em teus olhos o meu abismo. Sei que estou à um passo do despenhadeiro e a meio passo da tua boca. Ainda assim, por vezes incontáveis, não contesto-me. Entrego-me em tuas mãos como quem desprende-se do chão e mergulha por inteiro.

Eu, que mergulhei no teu balsamo, na força da tua voz, no calor da tua pele, na profundida das tuas fantasias, que deixe de ser tanto, para ser somente tua. Tua, mas que não basta e dói. Dói em cada canto remexido do meu corpo. Dói em cada lembrança. Dói em cada resido de prazer. Dói até nos joelhos, estes que se dobram aos teus quereres todos.

Eu, que tenho que (por puro instinto de sobrevivência) aceitar que tu não me bastas. E reconhecer, que talvez, tu nunca tenhas bastado, procuro apagar as chamas desta paixão que queima da minha pele até à minha integridade. Tu, que não me alcanças mesmo quando eu te alcanço.

Humilha-me esse ser inalcançável! Esse faltar de coisas, decisões, movimentos que não deveriam nunca precisar serem cobrados, trazidos à esclarecimentos. Coisas, que quando ecoadas em voz alta quebram ao invés de concertar e quando não existem, refletem a indiferença, a desamor. (desamor, mas que palavra asquerosa!)

Explico (ou vomito): mesmo quando as paredes transpiram, eu sinto frio; mesmo quando os teus braços cobrem o meu corpo, me sinto sozinha; mesmo quando beijas-me, eu sinto que estou partindo.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Authentic Love Magazine)

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