o terço pendurado no meu pescoço

todavia, nem tudo era dor, lembra? 

sou apegada às nossas melhores lembranças como quem se apega à esperança para continuar seguindo em frente nos dias difíceis. há de se ter uma coragem descarada para acreditar que coisas melhores estão por vir nos dias de hoje, convenhamos! eu ando um tanto quanto em cima do muro com relação a essas esperanças todas. sinto náuseas todas as vezes que leio mensagens com frases clichês que dizem que tudo vai melhorar, mas que nunca realmente melhoram. penso que estou sofrendo da doença de ser adulto, velho e rabugento. mas quem sou eu afinal, que pouco acredito em dias melhores, mas que ainda acredita na gente? talvez, você seja o terço pendurado no meu pescoço.

tenho fé na vida quando lembro do que vivemos. tenho fé na cumplicidade quando lembro tudo o que compartilhamos. tenho fé nas pessoas quando lembro tudo o que nos tornamos. tenho fé no futuro quando lembro tudo o que conquistamos do zero. tenho fé no presente quando lembro que resistimos a tudo, inclusive ao nosso fim.

há um certo poder quando entendemos que mesmo depois que acabamos, subsistimos. você continua sendo uma fonte inesgotável de poder dentro de mim. você, que dizia que íamos ficar bem!

ficava tanto por dizer entre nós e até quando tudo parecia ter sido dito, deixava aberto uma infinidade de possibilidades, como os semitons entre os tons na melodia de uma música. ficaríamos bem. como? quando? juntos? você não está mais aqui para responder e resta-me a saudade da sua racionalidade e franqueza para responder às minhas perguntas. amor, eu ainda tenho tantas perguntas! 

sobretudo, eu sei que fomos felizes. logo, eu fui feliz, e é essa a certeza que me abraça nos dias que sou só uma tristeza mal humorada. ultimamente, tenho sido só tristeza, até o mau humor me deixou, admito! mas é só quando sou tristeza que você está – a lembrança da nossa felicidade está. estou começando a concluir que sou triste para ser feliz contigo de novo. faz sentido? não faz, não é? mas quando foi que eu fiz sentido? eu te perguntava e você debochado respondia: “Nunca! E é por isso que eu não te largo!” e eu ficava brava e derretida, queria te bater e te beijar e por vezes, fazia os dois, e você me segurava os pulsos, lembrava-me como eu era pequena e frágil ao teu lado, pressionava-me contra a parede ou qualquer coisa que sustentasse o peso todo do seu corpo sob o meu corpo e calava as minhas queixas com aquele beijo. 

nem tudo era dor, lembra daqueles beijos?

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Pinterest)

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