Cartas de Amor de Homens Notáveis

Editado por: Ursula Doyle

Ano: 2008

Gênero: Romance e inclui bibliografias

Em lágrimas, anseio por ti, minha vida, meu tudo, adeus. Oh! Não deixes de me amar e jamais duvides do coração mais fiel do teu amado

L.

Para sempre vosso

Para sempre minha

Para sempre nosso

trecho da carta de Ludwing van Beethoven para a “Amada Imortal” – em 7 de Julho

… cheguei nesse livro pelo mesmo caminho que levou a editora a organizar essa obra. Aqueles que me conhecem um pouco mais, sabem que uma das minhas séries e filmes favoritos é Sex and the City, e é de lá que vem a inspiração dessa obra literária marcante.

No filme, a personagem Carrie Bradshaw cita trechos da carta escrito por Beethoven para o grande amor da sua vida , o Sr. Big. Já no final, temos mais uma vez o registro das cartas destes homens, quando o Sr. Big na tentativa de se reconciliar com Carrie, e não saber como dizer com suas próprias palavras, envia por e-mail todas as cartas, uma por uma, por longos dias, com a esperança de que ao menos através das palavras desses homens notáveis a sua amada lhe desse o perdão por tê-la decepcionado.

Carrie & Big – Filme Sex and the City 2

Aconteceu, que assim como eu, fãs dos filmes foram atrás do livro Cartas de Amor de Homens Notáveis nas livrarias e todos se decepcionaram, ao descobrirem que ele só existia na realidade fictícia e cinematografia do mundo Sex and the City. Ursula então foi atrás das cartas e das histórias por trás delas, que foram encontradas em meio de documentos pessoais de homens como Henrique VIII, Oscar Wilde, Ludwing van Beethoven, Napoleão Bonaparte, Alexander Pope, Wolfgang Amadeus Mozart, John Keats, Charles Darwin, entre outros.

Quanto mais conheci, mais amei. De todas as maneiras até meus ciúmes foram agonias de amor; no mais violento acesso que sofri, teria morrido de amor por ti. Já te atormentei demais, mas por amor! Posso evitá-lo? Sempre te renovas. O último dos teus beijos sempre foi o mais doce, o último sorriso o mais luminoso, o último gesto, o mais gracioso. Ontem, quando passaste diante da minha janela, fiquei tão cheio de admiração como se te visse pela primeira vez.

trecho da carta de John Keats para Fanny Brawne – 1820
(Foto: Reprodução / Brain Pickings)

O livro carrega em si não só as declarações de amor, confissões, pesos e nuances de saudade, as preocupações com questões sociais e financeiras que alguns enlaces carregavam, as trocas de afetos apesar da distância. Contém também, uma breve bibliografia de cada um deles, de como conheceram e se envolveram com as suas mulheres. Revela detalhes, interesses sociais e políticos que sobrecarregavam decisões de um casal da sociedade daquela época, e inegavelmente, o cuidado e a elegância ao tratar sobre assuntos mais íntimos e confidenciais, levando em consideração o processo de envio “mão a mão“, e de tempo que cada carta levava para chegar até o seu destino final.

O que aprendemos com esses homens, é que apesar de toda formalidade que algumas circunstâncias exigiam, as cartas cumpriam o seu objetivo de levar abraços, beijos, caricias, medos, informações e certezas – e construíam e mantinham a intimidade do casal. Algumas cartas demonstra o tipo de amor que é como uma chuva serena da madrugada regando o campo. Outras, amores que são como um ninho, um abrigo, um lar. E há, as que revelam o amor que dói com a ausência, com as incertezas, com o possível fim. Algumas cartas são tal como uma oração, uma prece por misericórdia e esperança. A tentativa incansável e irreprimível de escrever o amor.

Se, para uma mulher, ser feliz é saber-se a única no coração de um homem, só ela, enchendo-o por completo, certa de ser a luz que brilha na inteligência dele, segura de ser seu sangue e de animar cada batida de seu coração, de viver-lhe a mente como a própria substância do pensamento, tendo a certeza de que sempre, sempre será assim; eh bien, querida soberana de minha alma, podes considerar-te feliz, e feliz senza brama, pois é assim que serei teu até a morte. É possível sentirmos saciedade das coisas humanas, mas não das coisas divinas, e só estas palavras pode explicar o que representas para mim.

trecho da carta de Honoré de Balzac para a Condessa Ewelina Hanska – 1843
Foto: Reprodução / Papos Literários)

Eu que tive uma infância regada de troca de cartinhas com amigas, que cheguei a receber uma carta de amor por correio na adolescência de um admirador de Campos do Jordão, e outras mais de um rapaz de quando trabalhei a bordo, sou, ridiculamente, suspeita para dizer do quanto eu amei esse livro. Tenho saudades de ter a necessidade de pegar um papel, uma caneta e escrever a punho por amor, por amizade, por afeto. Tenho saudades inclusive da reciprocidade, da surpresa ao receber uma carta, de abrir um envelope com o meu nome endereçado (tenho quase certeza que nasci na época errada!)

Espero que obras como essa regaste a lembrança das coisas mais simples que tem um valor tão especial quanto um rubi, quiça, até maior. Acredito, que mais do que encantar, essa obra inspira a falar do amor, a dizer o quanto a gente ama uma pessoa – de maneira crua, direta, sem muitas delongas, ser previsível no imprevisível, falar o óbvio e o não óbvio, usar as palavras que a gente esconde nas entrelinhas das mensagens vomitas e mal escritas no whatsapp e etc.

Às vezes, tento imaginar teu rosto envelhecendo e me parece que te amarei tanto quanto, ou talvez até mais, do que te amo hoje.

trecho da carta de Gustave Flaubert para Louise Colet – 1866
(Foto: Reprodução / Francoiseruban )

Quem sabe, não seja a hora de pararmos para escrever um e-mail para alguém deixando o coração pulsar em cada letra? Ou deixar um bilhete breve, porém, ardente na porta da geladeira?

(Foto: arquivo pessoal)

Encontre o livro aqui.

Por: Francielle Santos

(Foto: capa – Ruth Willmore)

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