take me back to the start

come up to meet you, tell you I’m sorry. you don’t know how lovely you are. I had to find you, tell you I need you, tell you I set you apart. tell me your secrets and ask me your questions… oh, let’s go back to the start. running in circles, coming up tails, heads on a science apart. nobody said it was easy, it’s such shame for us to part. nobody said it was easy, no one ever said it would be this hard, oh take me back to the start.

The Scientist- Coldplay

(hoje deixei tocar outra vez na minha playlist Ocean repetidas vezes)

as músicas carregam as histórias das quais foram a trilha sonora, e nem todas as histórias são fáceis de encarar e superar. já faz um pouco mais de três anos, que cada vez que no aleatório essa música tocava, eu pulava, como quem se esconde de trás de uma árvore para não falar com um conhecido na rua.

mas nenhum tipo de árvore nos esconde das sombras do nosso passado o tempo e inteiro. vez ou outra ela aparece – tocando na rádio no táxi que está te levando em direção de outra história, na trilha sonora de um dos seus filmes favoritos, no som de fundo dos corredores de um shopping da cidade… ela te encara, dá um riso daqueles de vilã de novela e te prova o quanto você ainda tem medo, o quanto ainda ela te inquieta e encurrala contra a parede, lança a face que você não a confronta e cede.

e aqui, eu preciso confessar que eu sempre tive medo das nossas lembranças sombrias. quase sempre escolho contar coisas sobre nós sob uma perspectiva florida, mostrando as lindas rosas vermelhas desabrochadas, porém, segurando-as com toda força pelo caule, com as mãos feridas, escorrendo o sangue causado pelos nossos espinhos.

naquela tarde de domingo, pós almoço na casa da sua avó – mesa farta de comida italiana, sobremesa de uva com doce de leite e chocolate, cafezinho forte, a pequena L. pulando de colo em colo, nos agarrando pelo pescoço, minhas mãos acarinhando sua perna, risos, conversa fora, muita louça na pia, afeto…

voltamos pra casa, deitamos naquela preguiça dominical, dividimos o fone que tocava The Scientist… você se aninhou em mim como um gatinho buscando atenção, cheirava a minha pele, passeava com as mãos por debaixo da minha blusa, falando baixinho que me queria, que me amava, com a boca aterrada no meu pescoço, suspirava e procurava alcançar-me, talvez, me tirar de onde quer que eu estivesse, me trazer de volta pra casa.

qualquer não, foi insuficiente. qualquer justificativa, inapropriada. qualquer razão, atropelada pela sua testosterona (lembrada em alta e bom tom).

lembro de fechar os olhos e ficar imóvel. e por dentro me repreendendo, me punindo, porque fosse qual fosse as minhas explicações, a culpa, a ausência, a falha, a fraqueza, eram todas minhas. lembro de dizer que era amor, na busca desesperada de conforto. mas se aquilo era amor, porque eu não estava ali por completo? porque doía cada centímetro do meu corpo? da minha alma?

quando tudo acabou, ainda em silêncio fui para o banho e sentada no chão, eu supliquei que as águas quentes do chuveiro carregassem todas aquelas lágrimas que jorravam de mim desesperadas, arrancasse a minha carne, levasse pelo ralo o que ardia, me consumia, trouxesse quem eu era antes de me perder em você, trouxesse quem eu era quando ainda amava você sem sentir tanta dor.

… eu ainda precisava te amar.

Por: Francielle Santos

(Foto: Wattpad)

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