EMERGENCY DOOR

… quando trabalhei a bordo dos navios da Costa Cruzeiros aprendi sobre três tipos de portas de emergência:

a primeira, são as portas de emergência que dão acesso as áreas de crew (tripulação) e que em caso de evacuação, são por elas que devemos sair, ir até a cabine, pegar o colete salva-vidas e depois se dirigir ao lugar de orientação aos passageiros para evacuá-los. eles que também ao som do alarme devem se dirigir as suas cabines para vestir os seus coletes e que posteriormente, vão ser direcionados para atravessar essas mesmas portas, normalmente no quarto andar, que é onde estão os botes salva-vidas.

a segunda, é a porta corta-fogo (sendo o fogo considerado um dos maiores riscos que um navio de cruzeiros pode enfrentar), são feitas de um tipo de material que em caso de incêndio, quando fechadas, tem como o objetivo retardar a expansão do fogo até que a equipe de bombeiros chegue no local ou em caso de não contenção, dê um pouco mais de tempo para que o navio seja evacuado.

a terceira, é a porta corta-água. é o sistema que foi desenvolvido para o caso de rompimento do casco e invasão de água em algum compartimento, levando a embarcação ao naufrágio. nesse caso, estas portas ao serem fechadas impedem que água invada todo o navio mais rápido, como aconteceu ao Titanic, por exemplo. o mecanismo, inclusive, pode impedir a imersão total da embarcação em alto mar.

cada navio é dividido em linhas horizontais – que são os andares propriamente ditos acima e abaixo do nível do mar e em linhas verticais imaginária, que os dividem em sete partes iguais e são onde estão as portas corta-fogo acima do nível do mar e as portas corta-água, que também vedam o fogo, no nível do mar e abaixo dele.

Costa Deliziosa – Mar Mediterrâneo
(Foto: arquivo pessoal)

se pararmos para compreender a função geral das portas de emergência – todas elas tem um único objetivo em comum: o escape ao caos, de algo muito maior que nós, de algo que definitivamente coloca a nossa vida em total perigo. o escape, aquilo que não podemos enfrentar sozinhos, confrontar, resolver de imediato. todas elas são saídas em direção de um tipo de luz no fim do túnel e sem possibilidade de regresso.

durante o longo período que fiquei à bordo eu fiz incontáveis drills (treinamento) e em nenhuma vez as portas falharam. na hora que o alarme toca, todo mundo, mesmo passageiros de primeira viagem sabem para onde correr, sabem por onde escapar. além do mais, qualquer porta de emergência tem uma particularidade em comum: nenhum delas se abrem dos dois lados. elas têm apenas uma alavanca que as destravam, e que te obrigam a ficar do lado que é seguro.

por vezes, a gente tenta abrir portas de emergência do outro lado. a gente atravessa elas uma vez e quer voltar mesmo com o perigo ainda a espreita. para pegar algo que esqueceu, encontrar alguém que deixamos pra trás, fazer algo que não fizemos, terminar algo que deixamos por finalizar, porque tivemos que sair correndo no momento que o alarme (interno) tocou.

eu tenho aprendido ao longo desses últimos anos que há portas que não se abrem mais que uma vez. há caminhos que não vamos trilhar de novo. é aquele ditado popular que diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. e tem que ser assim. precisa ser assim. há circunstâncias que só nos resta escapar.

o ser humano tem mania de bancar um pouco de ser deus em sua própria vida. quando na verdade, há portas que Deus não abre porque Ele sabe o tamanho do problema do outro lado, sabe do que não precisamos viver de novo, conhece também o tamanho da nossa capacidade e o nosso limite para seguir em frente, em outra direção.

é muito, muito, muito difícil ouvir um NÃO do Pai. é doloroso quando você se dá conta de que está batendo numa porta que não abre e não tem uma alavanca para você empurrar para destravar. é irônico quando você olha para onde você está agora, e se dá conta de que está no lugar seguro – mesmo que tenha sido levado para esse lugar contra a sua vontade e não queira permanecer nele.

fui embarcada, contrariada, no bote salva-vidas …

ninguém nunca vai dizer que os botes salva-vidas são confortáveis, mesmo que não sejam nada parecidos e despreparados como os botes do Titanic, porque não são feitos para ser confortáveis, são feitos para te manter a salvo por um tempo – isso mesmo, por um tempo! e não poucas vezes, nós estamos procurando saída de emergência dentro deles.

nesse meio tempo, eu pergunto à Deus, até quando… até quando Senhor, eu vou continuar à deriva sem ver nem de longe terra à vista?

Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.

Jeremias 29:11

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / back ground scool)

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