os nossos grãos de café

Quando entrei naquela cafeteria, senti o cheiro forte de café e o calor dos teus olhos que percorreram o meu corpo de cima abaixo sem disfarçar. E eu, eu sorri por dentro! No mesmo instante desacelerei, entrei a passos firmes em cima daquele salto, que mais tarde, você disse que era da altura perfeita para exaltar as minhas pernas.

Naquele mesmo dia sentei no banco de sempre, sem você nem desconfiar que eu já era cliente fiel e fã dos teus grãos de café. Você, que não hesitou em fazer questão de me atender, com um sorriso ligeiramente intencionado, perguntou o que queria, e eu de bate e pronto disse: o de sempre!

Você não escondeu a surpresa e olhou para o seu barista, que sem pestanejar, sorrindo respondeu: “é cappuccino, ela bebe todos os dias cappuccino!” Você fez questão de preparar e fazer a melhor latte art que conseguia – três corações, você ainda se lembra? Serviu e como uma criança que espera com expectativa saber o que um adulto achou de sua arte, me deu tempo para provar esperando só uma oportunidade para saber mais de mim… e cada minuto da sua presença ansiosa para me invadir, me ardia por dentro. E no fundo, você sabia do que inquietava em mim!

Todas as vezes após aquela nosso primeiro encontro, eu tinha urgência pelas horas do meu café no meio dos dias longos de trabalho, só para ler os teus desejos escancarados na maneira que teus olhos se perdiam na cor bronzeada do meu corpo, nas partes que o meu vestido justo não cobria. Sentia frio na espinha quando você pegava na minha mão e a beijava, como se confessasse a sua pressa em beijar todas as minhas outras partes.

E nós inflamamos, naquela noite em que finalmente saímos pela primeira vez para jantar. Duas garrafas de um vinho francês que você tinha trazido da última feira de café que tinha ido. Comida japonesa, acompanhada das histórias da nossa vida que precisavam de tempo para serem compartilhada. Tínhamos fugacidade e tínhamos tempo.

Eu estava de costas, encarando aquele quadro de pé de café que você têm na parede da sala, quando você se aproximou, tuas mãos apressadas que me colocaram de frente contigo. E como um café expresso, você me beijou… quente, forte, certeiro! O centro do Rio se silenciou. E eu deitei todas as minhas necessidades em cima daquilo que você ardia em mim.

E você flamejou por dias, semanas, meses…

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / dynasty ruined)

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