esta não é uma carta de amor

[esta não é uma carta de amor, é só saudade]

vida,
que saudade eu tenho de você!
que saudade eu tenho de ouvir a tua voz, as tuas risadas, as tuas palavras nasaladas quando tinha crises de rinite.
que saudade eu tenho dos teus questionamentos, da tua incansável tentativa de me fazer mudar de ideia, da sua lucidez nas minhas insanidades.
saudades dos nossos almoços improvisados a macarrão e salsicha, das nossas tardes…
tenho saudades das tuas ligações pelas madrugadas, das notificações pelos dias.
sobretudo,
tenho saudade de ter com quem desabafar sem me preocupar em medir palavras, vírgulas e exclamações.
é cada vez mais difícil conversar sobre tudo com uma única pessoa nos dias de hoje, de se sentir seguro ao ponto de se rasgar de cima abaixo e revelar até as coisas sombrias que carregamos por dentro.
já faz tanto tempo, que eu precisaria de muitos dias inteirinhos de ti só pra mim para te contar tudo. (estou saturada!)
acima de tudo,
tenho saudades dos nossos silêncios – da não necessidade de ter que dizer tudo e o não dito ser compreendido num olhar, num sorriso, num abraço, num beijo na testa.
que falta faz o brilho do teu olhar nesses dias cinzentos (estou descolorindo, amor, e não é um filme feliz preto e branco que está passando na TV).
que falta faz a energia das tuas risadas nessas semanas iguais e monótonas demais há tanto tempo (eu mal levanto da cama ultimamente, e eu tenho certeza que você brigaria comigo todo dia até eu voltar a levantar todos os dias, ainda que minimamente feliz).
que falta faz o calor dos teus braços, a calmaria de estar segura agarrada no teu peito. (e você sabe que eu moraria ali para sempre, se o destino deixasse, se você me quisesse…)
que falta faz os teus beijos no canto da boca e do teu riso malandro dizendo que era sem querer.
ai que saudade dos nossos sem querer – querendo e querendo muito!
saudade das deixas que ficavam no ar e me coravam a face, das brigas de cosquinhas que terminavam comigo em cima de ti ou vice e versa, das “indiretas” seriamente ditas só pra testar a nossa coragem para avançar e com certeza,
eu morro de saudades das vezes que avançamos!
dos beijos demorados que demos no carro na frente da minha casa, dos banhos que tomamos juntos…
sinto falta da tua pressa de sentir o perfume no meu pescoço e da calma para desabotoar os meus sutiãs de renda só para continuar admirando-os.
saudade da pressão das tuas mãos na minha pele e da gentileza dos teus dedos retirando os fios do meu cabelo da frente do meu rosto.
saudade de você ao meu lado,
todo em mim.

Por: Francielle Santos

(Foto: Reprodução / Fewer Finer)

5 comentários em “esta não é uma carta de amor

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