#46

camada a camada estão as palavras escondidas
transpiro sangue enquanto resisto
haverá sempre uma maneira de sangrar

cicatriz a cicatriz as tatuagens sob a pele
revelam os caminhos que tomei irreversíveis
secas, mas nunca transparentes

lágrima a lágrima subsisto os dias
choro ainda que de dentro para continuar respirando 
há sempre um trago de oxigênio em um choro

dor a dor para lembrar 
é na lembrança que a lucidez acende 
no final do túnel  

palavra a palavra para esquecer 
há sempre um via de escape
um jeito de digerir o que é indigesto

passo a passo para não esmorecer
continuar é maior do que viver recomeçando
e eu ei de conseguir atravessar.

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