Às vezes escorro pelo muro

Às vezes mastigo mastigo mastigo as memórias em busca de sabor, mas as peculiaridades inteiras e que um dia foram desconhecidas, não resistem ao tempo. O que resiste são partículas, frações, fragmentos do que ainda parece bom. Será que ainda é? Mastigo mastigo mastigo…

Às vezes não penso muito e faço, o já não espera, e se não assim, fico pra trás, fico em alguma sala de segunda-feira fria do inverno de São Paulo, tão cinza quanto ela, enquanto todos correm do lado de lá.

Às vezes deixo como está, no lugar onde quase tudo sei. Há coisas que são o que são, estão onde devem estar e eu que aceite o que é como é. Esperar a transmutação dessas coisas, é esperar que o extraordinário – como encontrar outra civilização em algum canto do universo – aconteça. Seria constatar que não somos tão únicos, tão sozinhos, tão acima de tudo assim. (ah, essa estupidez humana!)

Às vezes penso sobre saídas, rotas, caminhos, que me levem para algum lugar de mar, algum lugar de sossego, algum lugar de dentro. O espelho ainda me vira as costas!

Às vezes escorro pelo muro, lugar onde não bate Sol e fico. Ficar, sobretudo, é entender um pouco mais do que está do lado de cá da parede que me separa do lado de lá. É reorganizar. É reescrever o que ainda está gritando. É gritar. É chorar. É esperar um poucoxinho mais de tempo.

Por: Francielle Santos

(Foto: ignant.de)

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