Rouxinol dourado

Ela é consciência que cai com o orvalho,
o conselho que despende no sol mais alto
ela é serenidade que nos envolve como o pôr do sol.
É toda pássaro, Rouxinol dourado, cheio de vida, e livre, livre.
Não há amor que a impeça, pois seu canto desesperado grita: já vai partir….
Amar ela é amar o fim,
é entender da saudade,
é agradecer seu pouso nas janelas de nossas vidas,
e pedir gentilmente que fique, num ato egoísta.
Das inconstâncias da minha vida, ela foi a mais bonita.

Por: Gabrielle Sposito
12 de Dezembro de 2016

Querida Gabi,
por razões que nem Freud explica, revirei as caixas de cartas, de postais e bilhetes de geladeira e te encontrei por lá. De tudo que já tive na minha vida, talvez, essa seja a única caixa que eu não consigo de nada me desfazer – logo eu, a que nada guarda por muito tempo.

Um dia desses tocou a música – Bloom em uma das minhas playlists, aquela que você escreveu com a sua linda caligrafia e guardou dentro daquele livro que me deu de presente de aniversário que passamos juntas a pedaço de pizza e cerveja, em um daqueles restaurantes no shopping Cidade São Paulo. (Foi um dos melhores aniversários que tive, e você sabe disso!)

Você e o seu jeito implacável de me dizer e fazer coisas por outros meios, caminhos, versos…
Senti uma saudade do tamanho do mundo do teu abraço gigante.
Do brilho estonteante dos teus cabelos ruivos e dos teus olhos castanhos.
Lembrei da manhã que você me mostrou essa poesia que havia escrito em casa, enquanto pensava nos planos que eu tinha compartilhado contigo.
Lembrei de você lendo ela pra mim com tristeza e amor, assim que eu voltei da copa com o nosso sagrado cafezinho, sentei na minha cadeira.. era uma terça-feira nublada de dezembro… (E eu parti mesmo, não foi?!)

Não vou aqui dizer de saudade do lugar que trabalhávamos, das questões que nos colocaram uma na vida da outra – a dupla mais improvável e a que deu mais certo, falavam nos corredores. Quero falar que sinto saudade do tempo que era nosso no meio do tempo que era deles.
É só quando o tempo passa (infelizmente!), que nos damos conta do porque aquele lugar, aquele trabalho, aquela pessoa ao nosso lado.

Você foi sol, nos meus dias de escuridão!
Você foi o barulho, no meu silêncio ensurdecedor!
Você era o meu riso, quando eu só queria fugir e chorar!
Você me apresentou as crônicas do Fred e depois dali, passei a escrever com mais leveza os meus textos!
Você foi a primeira pessoa a acreditar em mim e me chamar de escritora!
Você foi mais que uma companheira de trabalho,
Você marcou a minha vida!

Ps.:Aonde estiver, quero que saiba que eu sou grata por tanto, inclusive, por me deixar partir!
com saudades e amor,
Francielle Santos

(Foto: Reprodução / inentertainment)

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