os ecos no meu peito

~ e hoje mora um vazio bem no meio do meu peito.

Eu torcia tanto para te esquecer ao ponto de não sentir nada, absolutamente nada quando algo seu me viesse à frente, que é estranho reconhecer esse buraco. Essa sensação de que nada mais é, nada mais há, depois de tudo que fomos, tudo o que tivemos.

Você não morreu, não literalmente, mas é como se fosse. E apesar de tantas despedidas que tivemos no decorrer dos nossos longos anos juntos, nas peças que a vida parecia pregar em nós, entre idas e vindas, quases, sins, nãos… eu sinto que não disse tudo, sinto como se eu não tivesse feito tudo o que podia, mesmo tendo plena consciência de que sim: Eu fiz tudo o que pude por nós! Eu fui tudo o que pude por nós!

Talvez, agora que há mesmo uma sentença final, eu precise explicar, não para você ou para o mundo, mas para mim mesma o que não foi dito. Tenho que me encarar diante do espelho e admitir o que é inadmissível para um coração que ainda chama o seu nome noite sim, noite não. Tenho que assumir que não foi por falta de ser ou fazer, de entrega ou de renuncia… se você se foi, é puramente decisão. Decisão sua e não minha, e eu que me vire com isso!

Talvez, eu tenha sido sempre essa mulher mimada, cheia de vontades incontestáveis e que nunca aprendeu a lidar bem com os nãos da vida! Eu assumo isso. Talvez, só agora meu coração esteja de falta amadurecendo um tanto quanto mais frio, menos clichê, menos ousado, menos esperançoso até. Percebi a duras frustrações, que às vezes, ter esperança é um completo autoengano. E eu me enganei tanto sobre você, não é?

As respostas todas sempre estiveram bem ali, na minha frente, transparentes, certeiras, indubitáveis. Eu só não queria admitir vê-las, pior, compreendê-las, aceitá-las…

Não. Isso não é pra dizer que sinto saudades. O que eu tento hoje é fechar as lacunas. Procuro justificativas e significados sobre as coisas que são como são, simplesmente para silenciar o barulho dos ecos desse oco deixado pelo o que eu sentia por você dentro de mim. Me ensurdece. Me dói a cabeça. Me desconecta do presente. E já passou da hora de eu seguir em frente sem tanta dor, tanto quase, tanto nada.

Não é sobre tornar você o vilão da história. Não existe vilão em contos de amor! O que existe são duas pessoas tentando ou não, fazer dá certo. E muitas vezes, simplesmente não dá! Também não é pra dizer que tudo foi um engano. Te amar foi a coisa mais pura, duradoura e persistente que eu senti. Acreditar e esperar que você me amaria igual, foi apenas mais um dos meus equívocos sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o mundo. Não é sobre sermos adequados e perfeitos um para o outro. Ou sobre física, química e convenções. É sobre querer. E eu te quis tanto, que esqueci de me querer igual. E foi aí que perdi a medida, o equilíbrio, boa parte da minha vida.

Por você, amor da minha vida, que ocupou cada cantinho de mim, por dentro, por fora, no âmago… e é exatamente isso que faz ser tão difícil continuar existindo sem ti. Acho que enquanto ainda havia uma ligeira e pequenina esperança, eu me empurrava pela vida só para ter a chance de te encontrar ali, bem ali, no portão da minha casa me esperando dentro do seu carro para me levar para a nossa galáxia particular. Agora que já não tenho razões pelo o que esperar, pelo o que devo seguir?

É a pergunta que me resta.
É o que restou de nós.
E é isso, que ainda me dói profundamente!

Por: Francielle Santos

(Foto: Instagram)

4 comentários em “os ecos no meu peito

  1. O título é sublime. Muito bem escolhido. Me trouxe um Universo de sensações pensar no título.

    Pra mim, um eco também é sinônimo de casa nova, pronta para um recomeço. Você diz: “E eu te quis tanto, que esqueci de me querer igual.” Quando vai decorar uma casa, ela pode ficar com a cara do casal ou de apenas 1 deles. Pelo texto, a sua “casa” ficou com a cara dele. Ele decorou tudo: “ocupou cada cantinho de mim, por dentro, por fora, no âmago…”

    Curtido por 1 pessoa

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