6º dia – equilíbrio versus constância

Equilíbrio não é ausência de intensidade, é ausência de constância.

Pr André Fernades

Não tem muito tempo que eu li em um post no Instagram a seguinte frase continuar é maior do que viver recomeçando. E eis o grande ponto de virada, entender que mesmo depois que quebramos, caímos, fracassamos em um determinado ponto da história, ainda assim, podemos seguir em frente exatamente daquele ponto em questão.

Eu sempre tive o hábito de dizer que recomecei do zero diversas vezes, quando na verdade, isso não pode ser uma verdade. A grande questão de escapar no meio do processo, é que tentamos retomar o processo do ponto de partida, como se fosse possível descartar o já iniciado processo de transformação. Não há como recomeçar do zero, simplesmente, porque eu não tornei a ser aquela mesma pessoa do ponto zero. E muitas vezes, queremos ou até tentamos recomeçar do zero, com a ilusão de que as cicatrizes desaparecerão e a sensação do medo e do receio de cair, vai deixar de pulsar. Se pudéssemos olhar para esse ponto de quebra e entendêssemos que ele faz parte do processo, continuaríamos no casulo, ao invés de escapar dele e sair nem lagarta e nem borboleta, em deformação e não em transformação.

Outra questão a considerar é: quanto mais tempo no casulo, mais dor. E ninguém nasce sem dor. Logo, aceitemos! Aceitemos continuar no processo, ainda que tudo. Ser constante é um dos maiores desafios desse século onde tudo parece ser tão perecível, incerto, abstrato. Reconheço na minha juventude as fragilidades, reconheço as nossas fraquezas e a nossa constante vontade de trocar – objetos, conexões, pessoas. E me pergunto: será isso pressa para viver o amanhã ou será isso medo da entrega?

Ser constante é entregar-se intensamente, apostar todas as fichas, insistir na partida mesmo que pareça perdida, é ser o homem na arena como descreveu Roosevelt :

Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor.
O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente. Que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente.

Trecho do discurso “Cidadania em uma República” (ou “O Homem na Arena”), proferido na Sorbonne por Theodore Roosevelt, em 23 de abril de 1910

Por: Francielle Santos

(Foto: criticalskills)

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