16º dia – coisas (des)conhecidas

Coisas desconhecidas têm se movido dentro de mim. E há momentos na vida, que a gente se olha no espelho e não se reconhece, encara aquela face como quem encara um estranho na rua e não consegue desviar o olhar – sabe aquele momento, que a gente não sabe quem é, mas acredita que sabe ao mesmo tempo? Pois é! É exatamente sobre isso.

Tais coisas, me empurram rumo ao um caminho que eu sempre quis. Ou quis por muito tempo, quando o Tempo parecia ser a melhor coisa do mundo (aqui, sinto saudade da minha ingênua infância!). Por vezes, acho que me perdi no caminho dentro de mim, quando tomada por algum tipo de fúria ou revolta ou absurda desilusão, virei à esquerda e não à direita como naturalmente eu fazia. Não que eu ache que tal rumo tenha sido o errado. Dizem por aí, que a gente faz o que pode com aquilo que sabe e conhece – portanto, naquele momento, eu fiz o que pude com o que eu sabia e conhecia sobre tudo.

Ainda tenho dificuldade de honrar as minhas decisões – nunca foi e não é um processo natural, reconhecer que eu fiz a melhor escolha naquele momento lutando pelo o que eu acreditava. Quando se está cercado de outras vozes que te chamam de louca; ou que ameaçam dizendo: “olha, essa decisão é para morte”, você contesta, é verdade! Enfrenta, também é verdade! Mesmo assim, tais afirmações, por mais que você não concorde com elas, te rasgam por dentro. É um divisor de águas. Existe sempre um antes e um depois de você em consequência de feedbacks e orientações.

Mesmo assim, eu insisto. Me esforço a reconhecer e honrar as minhas escolhas corajosas (como chamavam e não era em tom de elogio). Eu fui sim corajosa! Eu cortei os cordões umbilicais sozinha e saí sangrando e me refiz como pude, com o que eu tinha. Eu rompi a casca da boneca de porcelana que eles tinham criado para mim, e fui ser assim, boneca de pano, cheia de remendos e de muita sede pela liberdade da vida. Eu escolhi enfrentar os riscos. E não, não foi um mar de flores como parece ter sido nas fotos do Instagram dos diferentes lugares que estive. Quando voltei, enfrentei o tribunal pronto para me julgar – aqueles olhares superiores que diziam: “olha, eu te avisei!”, quando na verdade eu só precisava de porto, de um pouco de descanso para dar um outro voo ainda mais ousado.

E te pergunto: que graça teria a vida se não fosse para ser ousado nela?

Por muito tempo, senti como se tivesse nadado, nadado, nadado e morrido na praia. Foi dilacerante quando voltei com as asas cansadas e naquele momento de fragilidade, elas me foram cortadas como se de uma vez por todas. Foi um caminho muito longo até aqui para escrever sobre essas coisas e não sentir vontade de chorar, fechar as cortinas em pleno meio-dia, deitar em posição fetal e dormi vinte e quatro horas seguidas. E é revigorante saber, que tai coisas desconhecidas trazem todas essas lembranças à tona, como uma espécie de reforço no fôlego novo que hoje preenche os pulmões dos meus planos e sonhos – silenciados, mas nunca extintos.

Por: Francielle Santos

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