25º dia – faça o que você pode fazer hoje

Em 2018 eu tive uma chefe que era A Chefe, sabe? Aquela pessoa que você olha e admira de cima abaixo. E por ela ter uma idade próxima a minha e da outra assistente (já que nós duas tínhamos a mesma idade), a gente tinha uma maneira de se entender quase que horizontal – as três muito jovens, cheias de planos e ambições pela vida e pela carreira.

E também por isso, ela que já tinha passado por alguns lugares que eu ainda estava passando, sabia muito bem os gatilhos que eu tinha quando entrava em crise de “não estar bom o bastante”. Acredite, teve e-mails, nos primeiros meses, que eu revisava umas quatro vezes antes de mandar para o cliente. É claro que por um lado era bom, porque ficava bem afinado e a probabilidade de uma proposta ou contrato ir com erro, era bem perto de 0,02%. Por outro lado, tinha a gestão do meu tempo – porque aí eu levava muito mais tempo para entregar, e a minha autoconfiança e segurança em jogo diante dos clientes, colegas e dos gestores nas reuniões toda semana.

No fundo, eu sempre soube que eu me cobrava demais. Porém, é claro que eu precisei de um terapeuta para esfregar essa verdade sobre mim assim, com todas as letras em neon. Ele me dizia: “você não precisa ser a sua própria carrasca. O mundo já tem gente demais que nos cobra lá fora!” Mais tarde, esta minha chefe me chamou para conversar e disse: “Fran, você não precisa se cobrar tanto assim, eu que sou sua chefe não te cobro nem metade do que você mesma se cobra, porque eu sei que você não vai saber tudo da noite para o dia. Respeite o seu tempo de aprendizado e ajustes!” e claro que eu não resmunguei, afinal, eu sabia que ela estava coberta de razão.

Mesmo assim, essa versão de chefe cobradora que existe dentro de mim comigo mesma, vez ou outra, volta a entrar em crise, e eis aqui o colapso. Quando você é a sua própria chefe maluca e a profissional em desenvolvimento, ou seja, em processo de adaptação de rotina, aprendizado, fadada a ajustes diárias até que tudo esteja alinhado, de duas uma: ou você surta ou você paralisa.

E qual o caminho do meio? Existe um equilíbrio?

Bem, se existe eu ainda não sei. O que por ora eu fiz, foi, mandei a chefe para a terapia para vê se ela aprende a controlar os nervos, a ansiedade e qualquer outra coisa que esteja sem medida. Quanto a profissional, está aqui, fazendo o que dá para ser feito da melhor forma possível hoje. É como diz uma grande amiga: é só por hoje e mais um dia!

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