31° Dia – entre eles

Clarice está em silêncio. Fernando, está indiferente. Virginia, está a beira do abismo. Pedro, continua inalcançável. Todos caídos no chão do meu quarto, desdenhando do meu silêncio barulhento que nada diz, nada representa, nada alcança. Os versos não são o que precisam ser. As sentenças são se complementam. As folhas rasgadas não podem me fazer ser, quem eu achei que poderia ser.

Finalmente, cedi a minha relutância de não ler autores antigos. Não era por arrogância ou desdenha, era porque no fundo, eu sempre soube que seria desmascarada por todo eles. Vaiada e atingida por tomates no palco que eu crie pra mim. A cada página que devoro de quem eles são, sou despedida da ideia de que sou alguém que escreve com a pretensão de ser como eles – mas que não é, nunca foi e talvez, nunca será! E é aqui, neste interim entre vergonha e vazio da minha alma, soterrada pelas minhas ambições absurdas e tolas, que eu sou. . .

Sou as palavras que me escapam rapidamente, que fogem de mim, que clamam por algum tipo de abrigo, de reafirmação, de resplandecência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s