55º dia – cure a sua decepção

– Fran, cure a sua decepção! – escreveu uma querida amiga em um coração cortado de folha de sulfite branca, que acompanhou um pavê daqueles que curam qualquer TPM, saudade, solidão.

São Paulo está nublada. A tal da terra da garoa, como sempre se referiu meu pai, está mesmo garoando como há muito tempo não garoava, tal como o meu coração. Estou um tanto quanto cinza também. Fria. Distante. Prática. Apática. Naquela tal tentativa de não me entregar as minhas mazelas, aos meus medos, as minhas carências todas – e fracassar miseravelmente.

Talvez seja a quantidade de casamentos que voltei a fazer – todos eles tem mexido tanto comigo, que na última vez não consegui conter as sombras das intensas partes de quem eu era se imaginando em cima do altar ou segurar as pequenas e contidas gotinhas que insistiram em caminhar vagarosamente sob o meu rosto. Talvez seja pelos buracos, a falta dos amigos que já não mando ou recebo nem um oi no WhatsApp (ou um abraço quentinho). Talvez seja porque eu já não me sinta tão conectada a terra – os meus pés estão rígidos demais para se lembrar da sensação de aterramento nas areais de Copacabana. Talvez seja pela inexistência a tanto tempo do nós .

Sei que fiz o melhor que pude fazer com aquilo que eu tinha, por quem eu era. Sei que eu não voltaria atrás das decisões que tomei. Eu sei que a decepção foi inevitável, mas ainda dói. E como dói!

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