56º dia – Chocolate, Vinho e Paris

Quando eu era criança (meados dos seis – sete anos), eu já tinha a ideia de que o meu nome vinha da França – uma associação óbvia que eu o meu cérebro fez, já que ambas as palavras começavam com as mesmas quatro iniciais – F.R.A.N. E foi assim, que o sonho de partida fora sutilmente regado no meu coração – mesmo bem pequena e sem a menor ideia de como eu faria isso, eu já dizia que eu atravessaria o oceano, custasse o que custasse.

Quando estava com doze anos – na sétima série, a professora de geografia passou um daqueles trabalhos em que você veste a cultura de um país o máximo que pode para a semana cultura – o meu grupo (de dois) ficou com a Itália. Naquele ano, a minha professora era mesma criativa e não se contentou só com uma pesquisa escrita em folha de papel almaço. Minha mãe mandou a costureira fazer roupas típicas, compramos ingredientes de lasanha (porque era o prato que eu sabia cozinhar sozinha), suco de uva para representar o vinho, fizemos bandeira em cartolina e vários outros cartazes com informações sobre a cultura italiana – e claro que eu me apaixonei perdidamente pela Itália.

Oito anos depois, eu estava no aeroporto Fiumicino em Roma, chegando para trabalhar na companhia de cruzeiros italiana – a Costa, o que me proporcionou viajar por diversas cidades da Itália, como também da Espanha, Grécia e outros tantos países, inclusive a França – no porto de Marselha. A minha vida a bordo tinha lá muitas vantagens, assim como muitas desvantagens e justamente na França, eu não tive tempo de conhecer ou de sequer comer um croissant francês. Foi como se ainda não fosse a hora de estar em terras francesas como a menina havia sonhado.

O sonho não morreu, muito pelo contrário, se fortaleceu dentro de mim. A França ainda é um dos lugares em que mais quero me inteirar – falar, me vestir, comprar rosas rosa ou amarelas para colocar no vaso em cima da mesa, beber bons vinhos, comer croissant de chocolate, ir a exposições, concertos vestida para matar (sabe o filme o Diabo Veste Prada?), viajar de carro conversível com lenços de seda para cidades vizinhas, me apaixonar…

Mas enquanto isso ainda não acontece, fui assistir pela segunda vez a séria Emily em Paris (ainda não lançaram a segunda temporada), só para me sentir do outro lado da telinha, ver coisas que são possíveis mesmo pertencendo ao outro lado do Oceano Atlântico. Abri um vinho tinto de uva merlot, comi chocolate como se o mundo fosse acabar – desejei estar em casa, desejei estar do outro lado – numa varanda com vista para Torre Eiffel.

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