no fim

em dois mil e vinte e um, eu

perdi muita gente
de todos os tipos
por mil e uma razões diferentes
de vários lugares de dentro e
de vários lugares de fora do meu coração

sorri, não muito
chorei, só quando a dor foi dilacerante a tal ponto que chorar foi a única maneira de respirar

vi gente saindo dos meus dias como se nunca houvesse habitado neles
vi gente entrar nos meus dias como se sempre estivesse estado por aqui
(ainda vejo algumas dessas pessoas por aí)

senti saudade de casa – every fuck day
oitocentos e vinte e um dia depois – e eu continuo sentindo-me assim: acinzentando na cidade em que nasci.

escrevi pouco por mim
escrevi muito pelos outros
(sim, não foi por preguiça que os posts por aqui diminuíram)
trabalhei em seis meses o que não trabalhei em um ano e meio de pandemia
ainda bem! e nossa, como ando cansada!!!
entreguei dois livros lindos para o mundo (minhas maiores vitórias, sem sombra de dúvidas!)
e não, ainda não foram os meus
e claro, voltei para a terapia justamente para me perguntar:
o que te impedes de concretizar você mesma?
ainda não tenho a resposta

não faz muito tempo que passando na rua distraída aqui perto de casa, ouvi a voz de uma amiga,
o que me fez pensar imediatamente:
eu reconheceria essa voz ainda que eu estivesse ligeiramente surda e cega!
o remorso mais a saudade mais o não saber o que fazer com isso me paralisou
depois escrevi, talvez, o texto mais honesto, vulnerável e humilde que eu já escrevi em toda a minha vida
e claro, não mostrei para o mundo, só mostrei para ela
que me respondeu com lágrimas (muitas – com juros sobre juros de nove anos)
mas lágrimas não colam cacos de cristal

cortei o cabelo o mais curto que pude bancar!
definitivamente foi uma das minhas decisões mais acertadas deste ano
(em pensar que estava deixando o cabelo crescer para usar solto debaixo do véu)
o tal do senso de realidade, é sempre a combinação de pequenas decisões aparentemente fúteis e simples.
mas não posso dizer o mesmo sobre a sessão de fotos que me obriguei a fazer.
para que mesmo?
já não lembro! definitivamente a decisão mais estúpida que tomei este ano
pelo menos, gostei de mais de duas fotos dessa vez!

estive em impecáveis Cafés
acompanhada de incríveis trocas.
definitivamente não disse “eu te amo
para ninguém, ninguém mesmo, não de coração inteiro
mas dei muitos beijos na boca de pessoas que ainda são, impressionantemente, desconhecidas
é a primeira vez em séculos que nada me estremece por dentro
é um alívio, no entanto, também é um oco

apesar de tudo, depois de uma década (literalmente), decidi que ia me esforçar no Natal
comprei presentinhos
montei a árvore no dia vinte e três, já era pra lá de sete da noite
passei até rímel na véspera
deitei-me antes da meia noite
a mudança é sempre um processo: longo, árduo e em poucos passos por vez

Por: Francielle Santos

Nota aos meus queridos leitores

Peço desculpas pela ausência nos últimos seis meses por aqui.
Logo voltarei a publicar com mais frequência!
Agradeço a todos que me escreveram por e-mail, direct no Instagram e no Twitter, a companhia de vocês me motiva a continuar!
Desejo que 2022 seja abundante de novos sentimentos, emoções, experiências,
e portanto, que seja farto em palavras, versos e parágrafos para todos nós!

com afeto,
Fran



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