o beijo

Os verdadeiros encontros são aqueles em que as almas se reconhecem de alguma forma inexplicável. E era essa a certeza que ela tinha no peito ao entrar naquele carro, dirigir tarde da noite mais de 433km, bater na porta desesperadamente daquele ainda desconhecido, só para concretizar o que por noites longas a fio foi prometido.

— Um beijo! Eu vim buscar aquele beijo que você me prometeu a semanas e não se deu o trabalho de ir me entregar.

Ele não entendeu nada, é claro! Que ela era um pouco louca, ele sabia, aliás, todo mundo sabia. Ela era aquele tipo de mulher impaciente, que não sabia esperar pela hora certa, pelo dia ideal. Ela havia sido feita para os instantes inapropriados, inesperados, para o mundo, para a vida intensa que ela tanto queria. Ela era aquele serzinho inacreditável, meio furacão, um tanto quanto tsunami. E era linda. Céus!!! Como ela era linda… mesmo ali, ligeiramente descabelada – daquele tipo de quem não penteia os cabelos todos os dias, com a roupa do trabalho mal planejada de quarta, mas unhas vermelhas, sim, sempre vermelhas e afiadas, os olhos grandes e castanhos que dispensam qualquer tipo de delineador e tão absurdamente perfumada, a misturada dos cremes de castanhas que hidratavam aquela pele tons de cappuccino vislumbrantes.

E então o tão esperado (por duzentos e quarenta e sete dias para ser mais exata) beijo acontecia. Quente. Urgente. Irreverente. Molhado. Estalado. Numa madrugada de quarta, de um mês qualquer, de um ano já esquecido.

Por.: Francielle Santos

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