se puder, reescreva-me


é, eu bem sei, faz tanto, tanto tempo! Tão longo lapso que deixamos-nos assim, tão de lado. Tão em segundo plano. Tão quando desse, quando fosse apropriado, quiçá, que fosse merecido. Tolice! Penso, inclusive, que é uma bela de uma desculpa frouxa! E toda desculpa é uma tremenda de uma covardia. Sim, temos sido covardes. Covardes diante de todas as possibilidades abertas, assim, bem debaixo do nosso nariz. Talvez, seja aquele tipo de medo descrito nas incontáveis entrelinhas da história que insistimos em contar – “hoje não tenho mais tempo”. Como no hoje de ontem, no de anteontem também e no de amanhã, certo de que assim será! E estamos do lado de cá, perdendo-nos dia após dia como quem aposta no cavalo manco insistentemente contanto com o milagre. E é nessa parte do discurso que vamos levantar, bater no peito e dizer que não é teimosia, mas sim a tal da esperança. E aí de quem ousar tripudiar da esperança! Então, vamos jogar pétalas brancas no vale de ossos secos para amenizar a cinzetude do cenário. Vamos dançar em meio a lama e dizer que estamos bem, mesmo com os músculos desmanchando-se dentro da fantasia admirada por aqueles que assistem o espetáculo. Ao menos, dirão que soubemos como enfeitar as dores como ninguém, não é mesmo? E claro, que a culpa disso é justamente do acervo de palavras que lançamos fora, como quem tenta desesperadamente respirar submerso no oceano do seu próprio ser.

Por: Francielle Santos

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